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Segundo Instituto Nacional de Estatística, o índice se mantém em torno de 18% desde 2008

O risco de viver em condições de pobreza em Portugal é 17,9%, informou hoje (15) o Instituto Nacional de Estatística (INE). O dado oficial, ainda provisório, é relativo a 2011 e foi apurado no ano passado pelo Inquérito às Condições de Vida e Rendimento. Segundo a pesquisa, o indicador permanece estável, em torno de 18% desde 2008, epicentro da crise financeira internacional.

Lisboa, capital de Portugal: Rendimento dos adultos caiu de € 421 mensais para € 416
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Lisboa, capital de Portugal: Rendimento dos adultos caiu de € 421 mensais para € 416

Apesar da estabilidade do risco de pobreza, o INE verificou piora das condições socioeconômicas e diferença do fenômeno, conforme o estrato social. O rendimento monetário líquido por adulto caiu de € 421 mensais para € 416 mensais, cerca de R$ 1.230.

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Como também acontece no Brasil, mulheres e o grupo formado por crianças e jovens até 17 anos têm mais chances de serem pobres; 18,2% e 21,7%, respectivamente. O risco de pobreza também varia conforme o tamanho das famílias. As mais numerosas, com dois adultos com três filhos ou mais, estão mais vulneráveis (41,2%); seguidas pelas famílias monoparentais, com apenas um adulto (30,5%); e por último as pessoas adultas que moram sozinhas (24,2%).

Em um período em que o governo ainda pretende cortar gastos públicos para promover um ajuste econômico, as despesas sociais mostram-se fundamentais para a redução da pobreza. Segundo o INE, “considerando apenas os rendimentos do trabalho, de capital e transferências privadas, 45,4% da população residente em Portugal estaria em risco de pobreza”. As transferências protegem especialmente aposentados e pensionistas com pagamento de subsídios.

Uma em cada quatro pessoas em risco de pobreza vive em “privação material severa”. Entre esse grupo, há quem não consiga fazer uma refeição com carne ou peixe pelo menos de dois em dois dias; há quem tenha despesas da residência em atraso; quem não possa manter a casa aquecida no inverno ou ainda pessoas que não tenham TV a cores por falta de recursos financeiros.

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A desigualdade socioeconômica parece crescente entre os portugueses. O coeficiente de Gini, que mede o índice de desigualdade, em termos percentuais foi 34,5% em 2011; acima dos 34,2% em 2010 e dos 33,7% medidos em 2009. Quanto mais próximo de 100%, mais desigual. O coeficiente do Brasil é em torno de 51%.

Os indicadores de pobreza em Portugal são divulgados em meio à crise política que poderá levar à troca de governo. Conforme agenda da Agência Lusa, para esta semana ainda são esperados os indicadores de conjuntura econômica de junho (INE) e o Boletim Econômico do Verão (Banco de Portugal).

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