Tamanho do texto

Para Juncker, União Europeia e o FMI foram “excessivamente otimistas” nas primeiras etapas do processo de resgate

Ex-presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker
Getty Images
Ex-presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker

O ex-presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, admitiu, nesta terça-feira (11), que foram cometidos erros no resgate financeiro da Grécia – dias após o Fundo Monetário Internacional (FMI) fazer um reconhecimento similar.

Entenda:  FMI divulgará documento oficial admitindo erros no resgate à Grécia

O primeiro ministro de Luxemburgo, que desempenhou um papel central no resgate de 2010, fora sua posição como cabeça do grupo dos ministros financeiros da zona do euro, disse que a União Europeia e o FMI foram “excessivamente otimistas” nas primeiras etapas do processo de resgate.

No entanto, Juncker, que deixou o cargo de presidente do Eurogrupo no começo deste ano, insistiu que o programa de ajuda de € 240 bilhões (US$ 317 bilhões) teve como objetivo básico manter a Grécia como membro do bloco.

Seus comentários durante a visita para Atenas seguiram o reconhecimento feito pelo FMI na semana passada de que o acordo de resgate falhou em reestruturar o débito nacional do pais cedo demais e superestimar a capacidade do governo grego de pressionar rapidamente o setor público e as reformas de mercado, que foram negligenciadas há décadas.

A discussão se sucede entre União Europeia e FMI, com a instituição também pressionando os europeus para que sejam mais específicos sobre qualquer outro auxílio de débito que possa ser concedido a Grécia no próximo ano.

“É verdade que as questões levantadas pelo FMI são importantes”, disse Juncker. “Tiveram erros. Mas quem não teria cometido erros dada a situação na qual a Grécia estava?”

Leia mais: Grécia não está mais sujeita a sair da zona do euro, diz Jucker

O governo conservador grego prometeu um retorno do crescimento e do orçamento no próximo ano. Apesar das duras medidas de austeridade, com cortes nos gastos e elevação de impostos, terem ajudado a reduzir o débito orçamentário do país, elas levaram a um grande estrago na economia grega – a Grécia está no sexto ano de uma recessão profunda, com uma taxa de desemprego acima de 27%, em que cerca de dois terço de jovens com menos de 25 anos estão sem trabalho.

O líder esquerdista da oposição, Alexis Tsipras, reiterou o pedido para que o governo descarte as medidas de austeridade, descrevendo o programa da União Europeia e do FMI na Grécia como um modelo para a intensificação do avanço de privatizações e cortes nos direitos trabalhistas pela Europa.

“É um esforço para enfraquecer o estado de bem-estar... Estas reformas neo-liberais estão sendo incorporadas a um estado construído a partir de apoios, tornado ainda mais difícil o antendimento às necessidades públicas”, disse Tsipras, na segunda-feira passada, na cidade de Nafplio.

Atualmente, inspetores da União europeia e do FMI estão na Grecia para pressionar por implementações mais rápidas de programas para demitir funcionários públicos e privatizar companhias estatais.

Enquanto isso, as ações na bolsa de valores de Atenas sofreram seu segundo dia de perdas pesadas – com queda de 5%, a tarde – depois que um acordo de privatização da companhia estatal de gás natural grega, DEPA, entrou em colapso com a desistência inesperada da gigante de energia russa, Gazprom.

Nesta terça, a Grécia também arrecadou € 1,625 bilhões (U$ 2,15 bilhões) em um lelão de contas do tesouro. O rendimento, ou a taxa de juros, da oferta foi de 4,2%, a mesma de um mês atrás.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.