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"A grave crise econômica que atravessamos há alguns anos atingiu uma intensidade, uma amplitude e uma persistência no tempo que ninguém imaginava", disse Juan Carlos

O rei da Espanha, Juan Carlos, pediu esta segunda-feira unidade para tirar o país de "um dos momentos mais difíceis" de sua história, marcado por uma profunda crise econômica, em alusão à Catalunha, onde cresce o fervor separatista.

O rei da Espanha, Juan Carlos, faz seu tradicional discurso natalino no Palácio Zarzuela, em Madri
AFP
O rei da Espanha, Juan Carlos, faz seu tradicional discurso natalino no Palácio Zarzuela, em Madri

"Não acho que exagero se digo que vivemos um dos momentos mais difíceis da história recente da Espanha", afirmou o monarca em sua mensagem de Natal transmitida pela televisão depois de sofrer este ano momentos pessoalmente complicados em meio a críticas por uma controversa caça de elefantes em Botsuana e acusações de corrupção contra seu genro, Iñaki Urdangarin.

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"A grave crise econômica que atravessamos há alguns anos atingiu uma intensidade, uma amplitude e uma persistência no tempo que ninguém imaginava", destacou o rei, de 74 anos.

Em crise desde que explodiu a bolha imobiliária em 2008, a Espanha está novamente mergulhada na recessão e tem um desemprego de 25%, que deixou mais de um milhão de famílias sem trabalho e dezenas de milhares expulsas de seus lares por causa de dívidas com bancos.

Isto, somado às políticas de austeridade, está "gerando um desapego com as instituições e com a política" admitiu.

Por isso, em um momento em que cresce o fervor separatista na Catalunha (nordeste), Juan Carlos I pediu para exercer uma política que, "longe de provocar o confronto e com respeito à diversidade, integra o comum para somar forças, não para dividi-las".

Diante da negativa do governo espanhol a renegociar um sistema fiscal que considera um peso para sua região em tempos de crise, o presidente catalão, o nacionalista Artur Mas, anunciou sua intenção de convocar um referendo de autodeterminação.

A tensão cresce desde então entre Madri e Barcelona, que denuncia tentativas do governo espanhol por limitar sua autonomia em questões como a educação de sua língua, veicular nas escolas públicas após ter sido excluída da esfera pública durante a ditadura franquista (1939-1975).

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"É hora de todos olharmos para adiante e fazermos o possível por fechar as feridas abertas", considerou o rei, pedindo para "promover valores como o respeito mútuo e a lealdade recíproca" que permitiram a transição pacífica da ditadura à democracia na Espanha.

Lembrando "todos os espanhóis que deixam agora nosso país para conseguir melhores condições de vida", o rei teve também palavras de reconhecimento para a América espanhola: "é parte fundamental de nós, como também somos dela", disse.

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