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Desempenho dos mercados da China e dos EUA sofrerá os efeitos da contínua indefinição na Europa

O cenário é conturbado para o comércio internacional em 2013, visto que, apesar das duas dezenas de eleições realizadas ao redor do mundo neste ano, pouca mudança deve ser percebida. Ainda balizada pela crise do euro, a economia europeia deve contribuir fortemente para manter baixo o desempenho global. Somando-se a isso, há poucas chances de grandes mercados como o americano ou o chinês atuarem de forma contrária nesse panorama.

Por esse motivo, avaliam especialistas, dificilmente o Brasil conseguirá passar imune à continuidade da crise no próximo ano. “Não há meios para compensar o baixo crescimento europeu. A região forma o maior mercado consumidor do mundo, com 600 milhões de pessoas”, afirma Leonardo Trevisan, professor do curso de Relações Internacionais da ESPM.

Só que, no que se refere às expectativas para a União Europeia, há várias questões ainda pendentes. “É possível pensarmos que, se houver aprofundamento da questão fiscal, o Reino Unido saia da União Europeia. Isso criaria duas ‘Europas’ e a situação se complicaria muito mais”, avalia Marcus Vinicius de Freitas, coordenador do curso de Relações Internacionais da Faap.

Outro fator por ora imponderável no cenário europeu é a eleição alemã, marcada para setembro. “Ainda não é possível prever se a chanceler Angela Merkel vai perder. Ela está jogando pela vitória nas urnas e 70% dos alemães acham que não se trabalha em países como Grécia, Portugal e Itália. Não vai haver concessão”, afirma Trevisan.

Além disso, explica o professor da ESPM, os Estados Unidos e a China têm questões internas a serem resolvidas que também não devem contribuir para o desenvolvimento do comércio. “Na próxima gestão, o presidente Barack Obama não vai prestar contas para as urnas, mas sim para a história. Ele vai ter que enfrentar a questão fiscal americana, os consumidores devem pagar por isso e esse cenário não é uma boa promessa para o desenvolvimento econômico”, diz.

Marcus de Freitas acrescenta que há previsão de continuidade da manutenção do dólar em baixa, com claro prejuízo ao comércio exterior para o lado dos parceiros, como o Brasil. “Obama vai fazer os ajustes pela via da tributação, mas certamente o tamanho da dívida americana irá crescer”, prevê.

No lado oposto do globo, a China — também sob novo governo — deve mudar seu modelo de financiamento e voltar-se mais para o consumo interno do que para as trocas comerciais (leia mais ao lado). “A tendência é que o estado chinês comece a reduzir seus investimentos nas grandes estatais para ampliar o financiamento de pequenos empreendedores. E eles formam 400 mil engenheiros por ano”, diz Leonardo Trevisan.

Há, porém, quem tenha expectativas mais otimistas, especialmente para as vendas brasileiras de bens manufaturados. “As exportações de produtos industriais tendem a melhorar em 2013, tendo um parceiro importante como os EUA, que começou a absorver mais bens industrializados nos últimos meses de 2012”, afirma Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Ele acrescenta que, apesar de os EUA terem perdido o posto de principal parceiro comercial do Brasil para a China, eles ainda são os maiores compradores de produtos acabados nacionais.

As estimativas da Funcex para 2013 são de superávit de US$ 21 bilhões na balança comercial brasileira, resultantes de exportações da ordem de US$ 262 bilhões e importações de US$ 241 bilhões. A produção industrial terá desempenho mais forte, contribuindo para o crescimento do PIB . “O perfil exportador focado em commodities não muda, mas a indústria tende a se recuperar, o que deve contribuir para o aumento das exportações.” Ele ressalta que o Brasil precisa acelerar sua competitividade industrial para reverter o desinteresse internacional pelos manufaturados.

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