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Em mais um sinal dos tempos difíceis, lojas vendem 1,2% menos no mês

Reuters

Os consumidores na zona do euro diminuíram os gastos na maior margem em seis meses em outubro, economizando em tudo, desde roupas a medicamentos, e dando poucas esperanças de uma recuperação da recessão guiada pelo consumo.

- Zona do euro tem contração ligeiramente menor em novembro, mostra PMI

O volume das vendas no varejo nos 17 países que usam o euro caiu 1,2% em outubro ante setembro, a maior queda desde abril, informou nesta quarta-feira o escritório de estatísticas da União Europeia (UE), Eurostat. Esse resultado foi pior que a previsão de queda de 0,1% de economistas consultados em pesquisa da Reuters.

Em mais um sinal dos tempos difíceis para as famílias da zona do euro, a leitura de setembro foi revisada para -0,6% ante -0,2% estimada anteriormente.

A economia da zona do euro, que gera aproximadamente um quinto da produção global, caiu em recessão no terceiro trimestre deste ano e espera-se contração por todo o ano, a segunda desde 2009, e uma recuperação ainda está distante.

"Nós acreditamos que o quarto trimestre será o pior em termos de crescimento", afirmou a economista do BNP Paribas Evelyn Herrmann.

"Com os países periféricos contraindo e até mesmo o núcleo passando por um declínio cíclico no final desde ano, a Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro deve cair cerca de 0,4% (nos últimos três meses de 2012)", disse ela em nota nesta quarta-feira.

As famílias na zona do euro têm sofrido desde a crise financeira global de 2008 e 2009, reprimidas pela renda disponível que cresceu apenas durante a breve recuperação de 2010. Tal fraqueza alimentou a contração, e a produção geral do bloco deve encolher pelo menos 0,4% este ano.

Pesquisas empresariais mostram um alívio na taxa de contração nos serviços da zona do euro em novembro, com o encolhimento na indústria moderando para o menor nível em sete meses, ajudado pelo plano do Banco Central Europeu (BCE) de comprar títulos de governos, o que diminuiu preocupações sobre um colapso da zona do euro.

Mas os cortes de gastos do governo que visam a diminuir os déficits orçamentários recordes estão tendo um grande impacto na economia real, afirmam economistas, e com o desemprego na zona do euro num recorde de máxima com quase 19 milhões de pessoas desempregadas, as vendas no varejo estão sofrendo.

Os gastos com alimentos, bebidas e tabaco caíram 0,8% em outubro e as compras de produtos não alimentícios incluindo vestuário e medicamentos recuaram 1,4%.

(Reportagem de Robin Emmott)

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