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Fortalecer o comércio e ajudar as empresas a criar empregos é a fórmula contra a crise defendida na XXII Cúpula Ibero-americana, em Cádiz, na Espanha

Fortalecer o comércio e o investimento, com estabilidade jurídica e financeira, e ajudar as empresas a criar empregos é a fórmula contra a crise defendida pelos líderes ibero-americanos reunidos neste sábado, na cidade espanhola de Cádiz, em uma cúpula que busca reequilibrar a relação entre países.

"No contexto atual de dificuldades é necessário prestar uma atenção especial às políticas de crescimento econômico", afirmou o presidente do governo espanhol, o conservador Mariano Rajoy, ao inaugurar a sessão de trabalho dos chefes de Estado e de Governo.

Ele enfatizou ainda que "atualmente a América Latina possui uma posição de partida mais vantajosa que a Europa para superar a crise". "Em um novo cenário global em que a América Latina ganha peso específico e centralidade por seu desenvolvimento econômico, a Espanha, como anfitriã, busca com esta cúpula estabelecer uma relação renovada que podemos definir como uma via de mão dupla plena entre ambos os continentes", acrescentou.

Presidenta Dilma (esq.) se reuniu neste sábado com líderes ibero-americanos para discutir a crise econômica, na XXII Cúpula Ibero-americana, em Cádiz, na Espanha
AFP
Presidenta Dilma (esq.) se reuniu neste sábado com líderes ibero-americanos para discutir a crise econômica, na XXII Cúpula Ibero-americana, em Cádiz, na Espanha

A presidente Dilma Rousseff, por sua vez, em sua intervenção atacou as políticas de austeridade para enfrentar a crise e defendeu a adoção de medidas de estímulo ao crescimento e à inclusão social.

Dilma sustentou enfaticamente que o Brasil "defende que a consolidação fiscal exagerada e simultânea não é a melhor resposta à crise mundial, e que pode até agravá-la, levando a uma maior recessão", e acrescentou que esta visão permitiu ao Brasil superar os efeitos da crise a partir de 2008.

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No discurso seguido com atenção pelos chefes de Estado e de governo de Espanha e Portugal, países europeus fortemente atingidos pela crise, a presidente da sexta maior economia do mundo afirmou que a austeridade, por enquanto, submeteu suas populações a "enormes sacrifícios".

Para enfrentar a crescente insatisfação social, acrescentou, é necessária a adoção de uma estratégia que "mostre resultados concretos para as pessoas e apresente um horizonte de esperança, não apenas a perspectiva de mais anos de sofrimento".

Além disso, a austeridade sequer foi capaz de consolidar seu objetivo principal, o equilíbrio fiscal, afirmou ainda.

O impacto social da crise da dívida europeia se converteu no tema central na Cúpula Ibero-Americana de Cádiz, em um contexto generalizado de questionamento às medidas de austeridade como forma prioritária para a superação da conjuntura.

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Segundo um rascunho da declaração final, a cúpula deve abordar "o impulso do comércio mediante um acordo ambicioso, integral e equilibrado das negociações da Rodada de Doha da OMC", além de "potencializar os mercados regionais para promover a integração econômica entre os países ibero-americanos".

O tema da segurança jurídica, que interessa especialmente à Espanha depois da desapropriação da petroleira YPF da Repsol pela Argentina, também é fundamental para os dirigentes de empresas multilatinas presentes no encontro.

A cúpula deve aprovar, assim, a criação de um Centro Ibero-americano de Arbitragem, que permita uma resolução rápida e simplificada dos conflitos, além de uma Carta Ibero-americana das Pymes destinada a impulsionar as pequenas e médias empresas como elementos-chave para o desenvolvimento e a criação de emprego.

Os chefes de Estado e de Governo devem manter neste sábado duas reuniões plenárias e um almoço a portas fechada, antes de aprovar o texto final do encontro.

Um total de 21 países estão presentes no encontro, que não conta com a presença do Paraguai devido a uma divergência com seus sócios da Unasul e Mercosul por causa da destituição do presidente Fernando Lugo

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