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"Nossos olhos estão em vocês, temos experiência que se pode dividir", disse o rei espanhol Juan Carlos, ontem, na abertura da XXII Cúpula Ibero-americana, em Cádiz

Rei Juan Carlos abre a XXII Cúpula Ibero-americana, nesta sexta-feira, em Cádiz
AP
Rei Juan Carlos abre a XXII Cúpula Ibero-americana, nesta sexta-feira, em Cádiz

O rei espanhol Juan Carlos abriu ontem (16) a XXII Cúpula Ibero-americana, em Cádiz, propondo alianças entre Espanha, Portugal e países da América Latina a fim de aproveitar a atual bonança econômica das antigas colônias. Segundo ele, os dois lados do oceano devem falar com "uma só voz".

"Nossos olhos estão em vocês, temos experiência que se pode dividir", disse aos chefes de Estado e de Governo da América Latina presentes à inauguração da cúpula. Para o rei, atualmente o continente latino-americano tem mais coesão social, mas ainda precisa lutar contra as desigualdades.

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"A Espanha tem sido terra de acolhida da América Latina", afirmou o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. Segundo ele, contar com "mais América Latina na Europa e na Espanha é uma receita imbatível para afrontar os atuais desafios".

O que ficou claro na abertura do encontro é o desejo de "uma relação renovada" entre América Latina, Espanha e Portugal. Neste primeiro dia, a presidente Dilma Roussef teve duas reuniões bilaterais com República Dominicana e Haiti.

Acompanham a presidente brasileira os ministros Antonio Patriota, das Relações Exteriores, Aloizio Mercadante, da Educação, Helena Chagas, da Comunicação Social, e Marco Aurélio Garcia, o assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais.

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Neste sábado, a presidente Dilma se posicionou sobre a crise na Europa ibérica, na sessão plenária em que os chefes de Estado e de governo assinarão a Declaração de Cádiz.

O documento destacará o desenvolvimento de infraestruturas, a promoção de micro, pequenas e médias empresas e políticas de crescimento econômico e emprego.

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Contexto

A Cúpula Ibero-americana nasceu em 1991, no México. Ela é sediada pela Espanha pela terceira vez.

Não participaram do evento os presidentes do Uruguai e Argentina, que alegaram problemas de saúde, e os de Venezuela, Cuba e Nicarágua. O presidente de Guatemala Otto Pérez Molina cancelou a viagem por causa do recente terremoto no país. O Paraguai, que está suspenso do Mercosul, não teve representação este ano.

Cádiz foi escolhida para sediar o encontro em comemoração ao bicentenário da primeira constituição liberal espanhola. Mariano Rajoy disse em seu discurso que Cádiz é uma cidade europeia e americana ao mesmo tempo. "Em cada canto desta cidade se respira América. Temos a cultura de liberdade compartilhada nas duas margens do oceano", disse.

A província de Cádiz tem atualmente uma taxa de desemprego de 36%, uma das piores da Espanha e superior à media nacional, de 25%.

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