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Depois de anos de importação e consumo com dinheiro emprestado pelo FMI e pela zona do euro, países ainda em crise voltam a exportar

Reuters

BRUXELAS - As exportações da Grécia e de Portugal, onde anos de importações alimentadas por crédito sobrecarregaram os países com enormes dívidas, cresceram fortemente nos oito primeiros meses deste ano e impulsionaram o superávit comercial da zona do euro, em um sinal de esperança para o sul da Europa.

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Os 17 países que compartinham o euro registraram um superávit comercial de 9,8 bilhões de euros com o resto do mundo em setembro, mais de cinco vezes o nível do mesmo mês do ano anterior, informou nesta sexta-feira (16) o escritório de estatísticas da UE, Eurostat.

As exportações são uma das poucas fontes de crescimento na zona do euro, que entrou em recessão no terceiro trimestre, e isso está evidente nos endividados países do sul da Europa.

Apesar da recessão em Itália, Espanha e Portugal e de uma depressão na Grécia, todos os quatro países elevaram suas exportações no período entre janeiro e agosto na comparação com o ano anterior, enquanto as importações recuaram.

Isso sinaliza uma reforma de suas economias, particularmente para Portugal e Grécia, que foram resgatados pela zona do euro e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Após uma década de importações e consumo com dinheiro emprestado, os países estão novamente exportando.

As exportações da Grécia subiram 11% nos oito primeiros meses do ano e as importações caíram 13 por cento. Em Portugal, as exportações avançaram 10% enquanto as importações recuaram 5%. Ajustadas por fatores sazonais, as exportações da Grécia cresceram 9,7% em setembro deste ano ante agosto, o maior salto entre todos os países do bloco monetário.

A Alemanha responde por mais da metade de todas as exportações da zona do euro e suas vendas subiram 5% entre janeiro e agosto, segundo dados não ajustados sazonalmente.

Entretanto, a fraqueza das importações nas economias alemã e francesa indica uma queda da demanda doméstica, uma vez que a zona do euro afunda na recessão provocada pela crise de dívida soberana.

As importações cresceram apenas 2% na Alemanha nos oito primeiros meses do ano, de acordo com dados não ajustados sazonalmente. Na França as importações subiram apenas 3%.

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