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Investidores voltaram a comprar ações dos bancos franceses, espanhóis ou italianos, assim como dívida dos países mais frágeis, o que contribuiu para recuperação das bolsas

AFP

Mais tranquilos com o voluntarismo do BCE, os grandes investidores internacionais, entre eles os gigantes das finanças, voltam timidamente à zona do euro há algumas semanas, apesar de a crise ainda não ter acabado. "O pior dos cenários se afasta um pouco para aqueles que temiam o desaparecimento do euro", diz Jean-Louis Mourier, economista da agência de corretagem Aurel BGC.

Os investidores voltaram a comprar ações dos bancos franceses, espanhóis ou italianos, assim como dívida dos países mais frágeis, o que contribuiu desde o início do verão para uma recuperação das bolsas e a queda do rendimento exigido para a dívida da Espanha e Itália. Jean-François Bay, diretor-geral da empresa de estudos Morningstar France, confirma que em setembro foi registrado um retorno dos fundos ao mercado de renda variável na zona do euro, "algo sem precedentes desde fevereiro de 2001".

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A tendência também foi favorável para a dívida dos países do sul da Europa. Os operadores têm consciência que o Banco Central Europeu (BCE) pode comprar dívida pública a curto prazo de forma ilimitada se um país o solicitar.Esta possibilidade justificou a decisão da Pimco, o maior gestor de dívida do mundo, de aconselhar a volta à Espanha e à Itália, depois de tê-los desprezado durante três anos.

Na França, o maior gestor de fundos independente, o Carmignac, anunciou em setembro que tinha comprado esse mês dívida de curto prazo da Itália e compra dívida espanhola desde junho. Já os fundos americanos, que administram trilhões de dólares, aumentaram pelo terceiro mês consecutivo em setembro sua exposição aos bancos da zona do euro, a 10,6% de suas exposições, segundo um estudo da agência de classificação Fitch.

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"Muitos investidores talvez tenham exagerado o risco da zona do euro, apesar de ele não ter desaparecido", alerta René Defossez, estrategista da Natixis.Seria, portanto, mais de oportunismo que de uma verdadeira convicção. "Este retorno dos investidores é muito frágil", disse Patrick Jacq, analista da BNP Paribas, que lembra que os fundos podem se ver tentados a realizar lucros com a mesma rapidez que voltaram à zona do euro.

"É muito difícil prever se o movimento iniciado recentemente vai prosseguir", disse Bay."Segundo a última pesquisa do Bank of America-Merrill Lynch entre os fundos, o risco ligado ao 'fiscal cliff' (fim das vantagens fiscais e redução dos gastos) nos Estados Unidos é maior que o da zona do euro", lembra Mourier. Fitch observa que, de fato, a exposição dos fundos monetários americanos aos bancos da zona do euro continua sendo 70% do nível de maio de 2011, enquanto as taxas que os países frágeis pagam para emitir títulos da dívida continuam sendo altas, apesar do relaxamento do mercado.

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É preciso dizer que "a zona do euro estará em recessão no próximo ano, contrariamente aos Estados Unidos", o que abala os ânimos dos investidores, disse Defossez. Além disso, 2013 é anunciado como um ano carregado de acontecimentos de risco por causa das eleições na Itália e na Alemanha, assim como um eventual plano de resgate para a Espanha.

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