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Proposta é marcada por um aumento generalizado de impostos que provocam um crescente descontentamento popular; orçamento 2013 prevê redução de gastos de 5,3 bilhões de euros

AFP

O Parlamento português aprovou nesta quarta-feira a proposta de orçamento para 2013, marcada por um aumento generalizado de impostos que provocam um crescente descontentamento popular. Os votos da coalizão de centro-direita no poder, que dispõe de uma confortável maioria no Parlamento, foram suficientes para aprovar o projeto na primeira leitura, apesar de a oposição, desde socialistas à extrema esquerda, ter votado contra. Após a votação, manifestantes se reuniram em torno do Parlamento para denunciar esta nova volta da austeridade.

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O orçamento 2013 prevê uma redução de gastos de 5,3 bilhões de euros. Ao todo, 80% dessa quantia serão obtidos com um aumento de impostos, de 9,8% em média este ano a 13,2% em 2013. "O orçamento exige enormes sacrifícios dos portugueses", reconheceu o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, mas "serve ao objetivo vital de concluir o programa de ajustes", afirmou no debate parlamentar que precedeu à votação.

A oposição dos socialistas desfere um duro golpe ao consenso que reinava entre as principais forças políticas em torno do plano de ajuda internacional de 78 bilhões de euros concedido em maio de 2011 pela UE e o FMI. Este consenso é considerado pelos credores como um elemento importante para o êxito do programa de ajuda.

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A CGTP, principal confederação sindical do país, convocou uma manifestação diante do Parlamento para às 15H00 (horário de Brasília). Este sindicato já convocou uma greve geral para 14 de novembro, um dia de mobilização contra a austeridade que se estenderá também a outros países europeus, entre eles a vizinha Espanha.