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Melhoras mensais no crescimento da produção e um aumento nos dados preliminares de geração de energia são indicações de uma possível recuperação da economia

Reuters

A produção industrial da China deve crescer mais rapidamente nos últimos três meses de 2012 do que no terceiro trimestre, apesar de a recuperação continuar marcada por incertezas nos mercados de exportação, informou nesta quinta-feira o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação.

As melhoras mensais no crescimento da produção, uma aparente reviravolta sinalizada por uma pesquisa do setor privado de gerentes de compras e um aumento nos dados preliminares de geração de energia são indicações de uma recuperação nascente, afirmou o porta-voz do ministério e engenheiro-chefe, Zhu Hongren, em entrevista.

"O desempenho do setor industrial mostrou sinais de estabilização e nós podemos ver uma tendência ainda mais clara de crescimento nos números mensais do terceiro trimestre", disse Zhu.

"Portanto, nós esperamos que o crescimento da produção industrial no quarto trimestre seja mais rápido do que no terceiro, o que ajudará o país a atingir sua meta de crescimento econômico anual de 7,5%", acrescentou.

Mas um comunicado do ministério divulgado antes do início da entrevista focou-se mais nos riscos da fraca demanda externa, aumento dos custos de produção, restrições de financiamento e margens de lucros apertadas no complexo industrial da China.

"A tendência de estabilização do setor industrial da China ainda não está sólida e nós ainda estamos enfrentando muitos desafios e dificuldades para atingir crescimento estável", disse o Ministério no comunicado.

"Apesar de o crescimento das exportações ter se recuperado em setembro, ainda é muito difícil ver crescimento estável nas exportações de produtos industriais no futuro devido ao encolhimento da demanda externa", afirmou o comunicado.

A prolongada crise da dívida no maior mercado de exportação da China, a União Europeia (UE), prejudicou a demanda por produtos de linhas de montagem do amplo setor industrial e acabou pesando sobre a economia doméstica.

As exportações foram responsáveis por 31% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2011, de acordo com o Banco Mundial, e apoiou estimados 200 milhões de empregos chineses.

O comunicado escrito ecoa o porta-voz do Ministério do Comércio, Shen Danyang, que afirmou na semana passada que dados comerciais sólidos de um mês não são uma evidência suficiente para uma tendência de recuperação, dadas as complicações no setor externo.

O salto no crescimento das exportações anuais em setembro para 9,9%, quase o dobro do esperado pelos investidores, levou alguns analistas a concluírem que a recuperação no setor externo está ganhando força.

A retração nos principais mercados da China tem sido a principal causa do rápido esfriamento do crescimento na economia dependente de exportações desde a expansão de 9,2% em 2011.

Analistas consultados pela Reuters esperam que o crescimento econômico da China desacelere para 7,7% em 2012 - uma mínima em 13 anos.

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