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Ata de outubro da autoridade monetária britânica mostra que os nove membros do colegiado continuam discordando sobre se mais compras de títulos serão necessárias

Reuters

O Banco da Inglaterra ficou dividido em sua reunião de outubro sobre a necessidade de impulsionar ainda mais a economia, mostrou nesta quarta-feira a ata da autoridade monetária, colocando dúvidas sobre as futuras ações.

Os nove membros do Comitê de Política Monetária do banco votaram de forma unânime para manter o programa de compra de títulos chamado de "quantitative easing" no total de 375 bilhões de libras e para manter as taxas de juros na mínima recorde de 0,5%.

Taxa de desemprego da Grã-Bretanha cai a 7,9% em agosto

Mas essas compras serão concluídas até a próxima reunião do Comitê no mês que vem, e a ata de outubro mostra que os nove membros continuam discordando sobre se mais compras serão necessárias.

"Há algumas diferenças de visão entre os membros sobre as perspectivas e a possibilidade de que mais afrouxamento da política seja necessário", mostrou a ata.

Uma divulgação separada da agência de estatísticas do país mostrou que o número de britânicos solicitando auxílio-desemprego caiu inesperadamente em setembro, possivelmente ajudado pelos empregos criados para os Jogos Olímpicos e as Paraolimpíadas de Londres.

O emprego avançou para 29,59 milhões em agosto, mostrando que o maior número de britânicos trabalhando desde o início da série histórica, em 1971.

"Eu acredito que eles (o Banco da Inglaterra) não irão agir em novembro. Eu acho que estão colocando mais ênfase no esquema de Financiamento para Empréstimo e deixá-lo desempenhar seu papel", afirmou o economista do Scotiabank Alan Clarke.

O esquema de Financiamento para Empréstimo do banco central, o qual oferece aos bancos crédito barato para emprestar mais, estava mostrando alguns sinais "encorajadores" de ajuda ao mercado de hipotecas, mas pode precisar de mais tempo para ajudar os empresário, informou a ata.

A economia da Grã-Bretanha não recuperou totalmente a produção perdida durante a retração de 2008 e 2009 e caiu novamente em recessão no final do ano passado. No entanto, o número de desempregados caiu, ao passo que a economia continuou criando empregos.

A taxa de desemprego na Grã-Bretanha recuou para 7,9% nos três meses encerrados em agosto, abaixo do esperado pelo mercado (8,1%) segundo pesquisa da Reuters, informou nesta quarta-feira a agência de estatísticas do país. A taxa anterior estava em 8,1%.

O Comitê informou que a perspectiva para crescimento e inflação para o médio prazo não mudou muito, apesar de uma esperada retomada do crescimento esteja levando mais tempo do que o esperado para se materializar.

A inflação - que caiu para perto da mínima de três anos de 2,2% em setembro - pode subir no curto prazo, devido a custos mais altos com energia, serviços públicos e alimentos, mas deve continuar próxima da meta de 2%, afirmou a ata.