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Situação atual do sistema financeiro global, cinco anos após o início da crise, foi foco de seminários que colocaram ponto final à reunião do FMI no Japão

EFE

Tóquio - O sistema financeiro foi protagonista neste domingo de vários seminários que colocaram um ponto final à reunião anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Tóquio, na qual foi pedido que a eurozona agilizasse suas ações para interromper a crise mas sem sufocar o crescimento.

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Diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, durante conferência neste sábado na assembleia anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional
ASSOCIATED PRESS/AP
Diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, durante conferência neste sábado na assembleia anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, que durante as reuniões desta semana insistiu em dar tempo aos países mais afetados para que assimilem seus programas de ajuste, destacou hoje que o sistema financeiro global, cinco anos depois da explosão da crise, segue em uma situação inquietante.

Em um dos seminários que serviram de epílogo à assembleia, Lagarde advertiu que muitos sistemas financeiros dependem ainda de poucas e grandes instituições e a "energia coletiva" para empreender reformas "está se diluindo de forma preocupante".

A diretora-gerente considerou ainda que as ações tomadas pelo Banco do Japão, o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu para dar estabilidade ao sistema "estão na direção certa", mas afirmou que elas têm que ser acompanhadas de políticas fiscais e estruturais.

Quem também defendeu esta tese foi o presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, que apoiou as medidas de flexibilização para impulsionar a recuperação da primeira economia mundial, um mês depois da instituição americana realizar uma volumosa injeção de liquidez.

Nos dias anteriores foi discutido em Tóquio o impacto que este tipo de injeção nas economias avançadas tem sobre as emergentes (pelo risco de receberem grandes fluxos de capital volátil), mas Bernanke assegurou hoje que o vínculo é menos estreito "do que foi dito em algumas ocasiões".

Além disso, em uma aparente alusão à China, o presidente do Fed criticou as entidades reguladoras de alguns mercados emergentes por manter suas divisas artificialmente baixas para promover suas exportações e o crescimento doméstico. A crise na Europa se refletiu em um desaquecimento das vendas da China ao exterior, o que por sua vez afeta outras regiões, entre elas a América Latina, exportadoras de matérias-primas.

União bancária na zona do Euro

A questão do desaquecimento dos emergentes também teve amplo espaço na assembleia de Tóquio, a primeira que o novo presidente do Banco Mundial, o americano de origem coreano Kim Yong Jim, participou. Mas se algo monopolizou os debates foi a crise na eurozona e o ritmo de aplicação das ações para superá-la: a maioria concordou que é necessário, por exemplo, acelerar uma união bancária, mas as opiniões diferem em relação ao ritmo que os países com problemas fiscais devem cumprir suas metas nominais.

E neste contexto, apesar do panorama sombrio de redução do crescimento global apontado pelo relatório de perspectivas do FMI publicado no início da reunião, várias foram as vozes que demonstraram um "otimismo cauteloso" ou "menor pessimismo". Entre elas esteve a do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, ou do próprio ministro espanhol de Economia, Luis de Guindos, que assegurou que o ambiente em torno da dívida espanhola é melhor agora do que há três meses.

Estas mensagens são um contraponto às advertências do FMI, que diz que os riscos de uma desaceleração mundial são extremamente "altos". Apesar disso, a reunião terminou com poucos compromissos novos e tangíveis para avançar em direção à resolução da crise. Também não se deram novos passos para a aplicação da reforma do sistema de cotas do FMI para dar mais peso aos países emergentes, algo que já era esperado por todos os membros.

O FMI espera que a reforma seja apresentada no Congresso dos Estados Unidos (país com maior cota de voto) e receba sua aprovação, possivelmente no próximo ano, para que após uma longa espera o novo sistema entre finalmente em vigor.

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