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Segundo diretor da organização, Espanha e, em menor extensão a Itália, "já fizeram todas as coisas certas, mas estão sendo penalizadas pelo mercado"

Agência Estado

O atraso do Banco Central Europeu em colocar em funcionamento o novo sistema de proteção para países da zona do euro está corroendo a confiança no funcionamento da chamada "bazuca" da região, afirmou o diretor da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCDE), Angel Gurria.

A Espanha, o principal candidato ao novo esquema europeu de ajuda, está sujeita a pressões políticas "esquizofrênicas", sendo pressionada a pedir ajuda e ao mesmo tempo ouvindo que esse tipo de movimento não seria bem-vindo, afirmou Gurria. O atraso aparente eleva os questionamento sobre a eficácia do plano da zona do euro, afirmou Gurria. "Isso já está corroendo a credibilidade", afirmou ele.

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"O tempo tem custo e cria incertezas", completou. A Espanha e, em menor extensão a Itália, "já fizeram todas as coisas certas, mas estão sendo penalizadas pelo mercado", apesar do estabelecimento do Mecanismo Europeu de Estabilidade (ESM, na sigla em inglês) e Transações Monetárias Diretas (OMT, na sigla em inglês), e dos movimentos para a criação da união bancária em meio ao fim das dúvidas sobre a dívida pública regional, afirmou Gurria.

"É preciso ter incentivos, mas não parece haver prêmios para a eficácia." Os países que já estão enfrentando custos elevados para empréstimos "querem apenas que o BCE faça seu trabalho", afirmou Gurria. Pressões políticas da Alemanha acrescenta condições inevitáveis, mesmo assim, é preciso deixar claro que a condicionalidade pedida à Espanha "está muito próxima do que o país já está fazendo", completou.

Limbo

A situação deixou a Espanha - e potencialmente a Itália - em um tipo de limbo, "pagando um preço exorbitante" para refinanciar sua economia mesmo com a alta do desemprego devido ao doloroso aperto nas finanças públicas, afirmou Gurria. "Se você ficar nessa posição por muito tempo, eu diria vá aos seus credores", disse, o que sugere negociação na forma de reestruturação na dívida soberana, talvez com extensão do prazo de vencimento para evitar fuga de capital do país, afirmou o diretor da OCDE.

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A reestruturação de dívida soberana é uma maldição para a zona do euro após a caótica experiência com a Grécia que pode precisar renegociar novas mudanças nos termos de sua dívida pública, mesmo após os credores terem aceitado redução em seus valores.

Títulos

Ele também sugeriu, nesta sexta-feira, que a Espanha deveria pedir ao Banco Central Europeu (BCE) para começar a comprar os títulos de seu governo, divulgou a agência de notícias Kyodo. As declarações de Gurria, feitas em entrevista durante a reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Tóquio, adiciona pressão sobre a Espanha para buscar assistência do Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês), fundo de resgate da zona do euro.

"É absolutamente importante que os mercados acompanhem esta ideia, de que este é um instrumento que vai ser usado. Mas tivemos falsos alarmes", disse o ex-ministro mexicano. "As pessoas estão perguntando o porquê a Espanha não está pedindo (ajuda)". O yield (retorno ao investidor) do título de 10 anos da Espanha recuou ante o nível de 7%, que é considerado insustentável, para cerca de 6%.

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Mas Gurria diz que os yields são suscetíveis ao noticiário e que seus movimentos devem ser estabilizados por ação do BCE. "Toda a hora em que há má notícia (o yield) sobe, porque não há âncora para mantê-lo", afirmou. "A âncora pode ser providenciada pelo BCE", que ele chamou como "os caras com grande balanço patrimonial", segundo a Kyodo. "A bazuca está pronta para proteger nossos membros porque estão fazendo a coisa certa", afirmou, em referência ao novo programa de compra de títulos pelo BCE. As informações são da Dow Jones.