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Para o FMI, houve uma importante mudança de atitude nos últimos meses na Europa para superar os desafios, mas é fundamental prosseguir com a consolidação fiscal

EFE

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) iniciaram nesta terça-feira em Tóquio uma assembleia anual sobre a qual paira a sombra do arrefecimento mundial e na qual a crise na Europa é encarada como um dos grandes desafios imediatos.

"Em economias avançadas o crescimento é ainda muito débil para reduzir o desemprego, e nos principais mercados emergentes o crescimento, que antes tinha sido forte, também se reduziu", alertou em Tóquio o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, ao apresentar o Relatório de Perspectivas Mundiais do organismo.

O economista francês destacou que algumas das principais quedas das perspectivas ocorreram na eurozona, onde os desafios passam pela consolidação fiscal e pelo reforço do setor financeiro, que deve incluir uma recapitalização contemplada dentro de uma futura união bancária.

O FMI considera que houve uma importante mudança de atitude nos últimos meses na Europa em relação à arquitetura necessária para superar estes desafios, mas considera fundamental prosseguir com a consolidação fiscal, embora "nem muito devagar, nem muito depressa", segundo Blanchard.

Perguntado sobre se países como Espanha e Grécia deveriam executar seus programas de ajuste mais lentamente devido aos efeitos negativos sobre seu crescimento, o francês lembrou que o processo "é uma maratona, não um sprint", e que por isso "levará muitos anos". Nesse aspecto, destacou também a importância de os objetivos de redução do déficit poderem ser reajustados, como o Eurogrupo vai fazer no caso de Portugal, que terá mais um ano para regular suas contas.

Por sua parte, o responsável de assuntos fiscais do FMI, Carlo Cottarelli, ressaltou após a divulgação do Relatório de Vigilância Orçamentária que o ritmo destes ajustes deveria depender em cada caso "da dimensão do desequilíbrio fiscal, do grau de pressão sobre os mercados e do estado da economia".

Precisamente por isso, considerou que os Estados Unidos devem evitar "o precipício fiscal", um aumento automático de impostos e grandes cortes orçamentários que poderiam acontecer se não forem tomadas medidas antes do final de 2012, além de "ações oportunas para subir o teto de dívida".

Também três dos maiores motores emergentes, Brasil, China e Índia, chegam a esta assembleia do FMI e do BM após sofrer grandes rebaixamentos em suas perspectivas de crescimento, em parte pela minguante demanda das economias desenvolvidas. "De fato, a redução de exportações está por trás de grande parte do corte do crescimento da China", salientou o francês, que, no entanto, lembrou que não há sinais de uma "aterrissagem dura" em nenhum destes três países, nos quais "são tomadas medidas positivas".

A América Latina, por sua parte, obteve uma qualificação mais positiva do FMI, que considera que "muitos bancos centrais latino-americanos redirigiram com sucesso suas políticas, concentrando-se mais na inflação, e por isso empregaram as taxas de câmbio a seu favor e para absorver impactos".

Segundo o chefe de divisão do departamento de pesquisa do FMI, Thomas Helbling, no aspecto financeiro, muitas economias da América Latina "fortaleceram a supervisão e seu marco de políticas", dando lugar a uma integração que lhes permitiu emitir bônus em divisa local adquiridos por investidores estrangeiros.

Em paralelo ao início das reuniões em Tóquio, começou hoje também o chamado "Diálogo de Sendai", um fórum de dois dias sobre gestão de desastres naturais organizado pelo governo japonês e pelo BM em uma das cidades mais afetadas pelo tsunami de 2011. Em sua abertura, o diretor-gerente do BM, Mahmoud Mohieldin, assegurou que dessa tragédia se obtiveram lições que devem ser "compartilhadas com todos os países vulneráveis aos desastres", ao mesmo tempo em que pediu investimentos em prevenção e colaboração internacional para limitar o impacto destas catástrofes.