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Presidente do banco, porém, se recusou a comentar se a Espanha poderá seguir adiante sem pedir ajuda externa dos programas de resgate europeus

EFE

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse nesta quinta-feira que o programa de compra ilimitada de dívida soberana está pronto, mas são os governos que têm que decidir se solicitam a ajuda. Após a reunião do Conselho do BCE na cidade eslovena de Brdo pri Kranju, perto de Liubliana, Draghi destacou os progressos da Espanha na consolidação orçamentária, assim como nas reformas estruturais e do setor bancário, mas considerou que também ficam "desafios importantes".

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O dirigente se recusou a comentar se a Espanha poderá seguir adiante sem pedir ajuda externa dos programas de resgate europeus, algo que esperam há muito tempo os mercados financeiros. Draghi avaliou o plano de reestruturação do setor bancário espanhol e os testes de resistência individualizados para determinar as necessidades de capital de cada entidade. Destacou ainda que a Espanha cobriu quase 90% de suas necessidades financeiras este ano e muitas empresas aproveitaram o efeito positivo do anúncio do plano de compra de dívida do BCE para fazer emissões. No entanto, Draghi passou a bola para os governos e disse que o Executivo espanhol e dos demais países da zona do euro são os que devem decidir se estas reformas são suficientes para que o BCE compre dívida soberana da Espanha.

O Conselho do BCE decidiu manter as taxas de juros reitoras para a zona do euro no mínimo histórico de 0,75%. Draghi explicou que o principal órgão executivo do BCE tomou esta decisão por unanimidade. Segundo o dirigente, um corte da taxa de juros serviria apenas para impulsionar o crédito nos países com problemas de refinanciamento perante a fragmentação do mercado.

Draghi comentou que o BCE observará diferentes indicadores para avaliar o grau de fragmentação do mecanismo de transmissão da política monetária, mas não estabelecerá um objetivo determinado de rentabilidade da dívida soberana ou dos diferenciais. Além disso, Draghi demonstrou preocupação pelo elevado desemprego em alguns países, sobretudo, entre os jovens, que qualificou de "perda de recursos".