Tamanho do texto

Estudo indica que 200 milhões de pessoas estão desempregadas apesar de buscarem trabalho, com uma grande incidência (75 milhões) entre os jovens menores de 25 anos

EFE

Mais de 620 milhões de jovens não trabalham nem estudam, segundo o Banco Mundial
Getty Images
Mais de 620 milhões de jovens não trabalham nem estudam, segundo o Banco Mundial

O Banco Mundial (BM) apresentou nesta segunda-feira o seu relatório sobre o desenvolvimento no qual pede que os governos tenham mais políticas de incentivo à criação de emprego, especialmente para os jovens, para que se possa construir bases sólidas para a redução da pobreza.

O Relatório sobre Desenvolvimento para 2013 afirma que "a demografia, a urbanização, a tecnologia e as crises macroeconômicas" provocaram grandes desafios em matéria de emprego, especialmente entre os países em desenvolvimento. Os dados compilados pelo BM indicam que existem no mundo três bilhões de pessoas empregadas, mas apenas 1,6 bilhão delas possuem salários estáveis.

Quase metade dos trabalhadores do planeta desempenha trabalhos agrícolas, em pequenas empresas familiares ou como diaristas, o que não lhes garante uma rede de proteção suficiente e um salário digno. Os dados divulgados pelo BM mostram que 200 milhões de pessoas estão desempregadas apesar de buscarem trabalho, com uma grande incidência (75 milhões) entre os jovens menores de 25 anos.

Além disso, o diretor do relatório, Martin Rama, afirmou que "mais de 620 milhões de jovens não trabalham nem estudam", algo que obrigaria a criação de 600 milhões de postos de trabalho no mundo todo nos próximos 15 anos, ao mesmo tempo em que põe em risco sua capacidade para optar por empregos em setores mais intensivos em tecnologia. Rama disse em entrevista coletiva que "a maioria das pessoas que saem da pobreza o faz através dos rendimentos que vêm do emprego", o que melhora os padrões de vida, a produtividade e a coesão social nos países pobres.

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, garantiu hoje em comunicado que "um bom emprego pode mudar a vida de uma pessoa e quando os postos de trabalho são adequados, podem transformar sociedades completas", por isso que os governos "devem situar este tema no primeiro plano para promover a prosperidade e lutar contra a pobreza".

Kaushik Basu, recém nomeado economista-chefe do BM, destacou em entrevista coletiva a importância da agricultura na manutenção do bem-estar de muitas famílias nos países pobres, motivo pelo qual se torna necessário o aumento da produtividade deste setor, além de melhorar o acesso aos mercados. Basu afirmou que "os governos podem desempenhar um papel vital criando um entorno que estimule a demanda por mão de obra", enquanto deve promover o desenvolvimento do setor privado nos setores mais adequados para as características de cada país.

O relatório reconhece que o crescimento econômico de países em desenvolvimento promove uma mudança que pode ser traumática para alguns setores, já que com mais trabalhos produtivos, os menos produtivos tendem a desaparecer. Rama lembrou que para se evitar tal cenário, as políticas públicas devem estar orientadas para evitar a potencialização de um tipo de atividade manufatureira, citando o exemplo de Bangladesh que é totalmente dependente do setor têxtil.

Também ressaltou a importância da integração da mulher no mercado de trabalho e sua contribuição na renda das famílias, já que seu papel é muito mais propício na administração desses recursos e permite uma maior estabilidade. Neste sentido, o relatório destaca iniciativas como o programa de creches do México, os lares comunitários da Colômbia e programas similares na Argentina e no Brasil, que permitem uma maior participação da mulher.

Também nomeia outros sucessos na América Latina como o do México, onde o tamanho médio das empresas que estão em atividade por mais de 35 anos duplicou, assim como a facilitação dos requisitos para se criar um negócio promove a criação de pequenas e médias empresas, que se incorporam ao setor formal.

O relatório também chama atenção para a evolução em países com rendimento médio-alto, como o Chile, onde as pequenas empresas representam 39% do total e por isso têm um papel importante na criação de emprego.

O BM destaca que o Chile conseguiu diversificar os empregos, além do setor de recursos naturais, orientando outros ramos de produção ao mercado externo e manejando adequadamente o efeito dos preços das matérias-primas em variáveis macroeconômicas como a inflação e o valor de sua divisa.

Os responsáveis pelo estudo também lembraram a importância de se criar um sistema de educação e capacitação que se adapte da melhor maneira possível à estrutura produtiva e às necessidades do setor privado, o que em muitos casos ajuda a reduzir o desemprego juvenil.