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Governo apresenta na quinta-feira mais reformas econômicas dolorosas e um orçamento difícil para 2013, com o objetivo de convencer os investidores de que a Espanha está fazendo a lição de casa de cortar o déficit, apesar da recessão e o desemprego de 25%

Reuters

Protestos violentos em Madri e conversas crescentes sobre separação na rica Catalunha aumentavam a pressão sobre o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, conforme ele se aproxima de um pedido de resgate à Europa.

Rajoy tem resistido a pedidos de influentes banqueiros nacionais e líderes da França e da Itália para agir rapidamente e pedir ajuda, mas uma série de eventos esta semana irá levá-lo a ficar mais perto disso.

Com manifestantes intensificando protestos contra austeridade, Rajoy apresenta na quinta-feira mais reformas econômicas dolorosas e um orçamento difícil para 2013, com o objetivo de convencer os parceiros da zona do euro e os investidores de que a Espanha está fazendo sua lição de casa de cortar o déficit, apesar de uma recessão e de desemprego de 25%.

Em entrevista ao Wall Street Journal, Rajoy sinalizou que pode buscar ajuda se os custos de financiamento da dívida persistirem elevados por muito tempo.

"Posso assegurar-lhe 100% que eu pediria esse resgate", afirmou ao jornal, chamando a situação que ele enfrenta agora de "fascinante".

Novos dados na terça-feira sugeriram que a Espanha não alcançará sua meta de déficit público de 6,3% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, com o déficit do governo central chegando a 4,77% no final de agosto, já acima da meta de fim de ano.

Do lado das reformas, Rajoy espera vendê-las aos eleitores como condições internas ao crescimento ao invés de imposições externas. Diplomatas relataram intensas pressões de última hora sobre Madri por parte de importantes formuladores de política da zona euro para o governo tomar medidas mais duras, particularmente o congelamento de pensões.

Na sexta-feira, a Moody's publicará a sua última revisão do rating de crédito da Espanha, possivelmente rebaixando a dívida do país ao status de "junk".

No mesmo dia, uma auditoria independente dos bancos da Espanha irá revelar quanto dinheiro Madri precisa de um pacote de ajuda de 100 bilhões de euros (US$129,62 bilhões) que a Europa já aprovou para a quarta maior economia da zona do euro.