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Presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, opõe-se à ação do BCE e alguns conservadores compartilham sua visão de que os planos de compra de títulos violam o tabu sobre financiar déficits estatais

Reuters

Os planos do Banco Central Europeu (BCE) para comprar dívida de países da zona do euro em dificuldade colocam sua independência em dúvida e levam o banco ao limite de seu mandato, afirmou nesta segunda-feira um membro sênior da coalizão conservadora da chanceler Angela Merkel.

Os planos para compras potencialmente ilimitadas de títulos emitidos por países que pedirem um resgate europeu e cumprirem condições políticas domésticas rigorosas provocaram ansiedade na Alemanha sobre os crescentes custos da crise da dívida de quase três anos.

Alemanha sai em defesa de novo fundo de resgate da zona do euro

O presidente do banco central alemão, Jens Weidmann, opõe-se à ação do BCE e alguns conservadores compartilham sua visão de que os planos de compra de títulos violam o tabu sobre financiar déficits estatais. Eles também temem que isso irá erodir a independência do BCE.

Mas Merkel e o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, demonstraram seu apoio ao plano do presidente do BCE, Mario Draghi, para ajudar Estados da zona do euro a administrar suas dívidas.

"Como uma intervenção do BCE (nos mercados de títulos) toca em programas políticos determinados, a independência do banco é colocada um pouco em dúvida", afirmou Volker Kauder, um líder parlamentar do partido Democrata-Cristão e um aliado próximo de Merkel, ao jornal Bild.

"O BCE chegou ao limite do que é permitido, também porque está se dirigindo à área de financiamento estatal. Esses são tempos simplesmente extraordinários", disse Kauder.

Mas se o BCE não agir, os riscos podem aumentar, acrescentou ele.

"Um fracasso do euro seria incalculavelmente mais custoso", disse ele ao Bild, que há tempos critica resgates de Estados em dificuldade como a Grécia.

O governo alemão afirmou nesta segunda-feira que continua convencido de que o novo fundo de resgate da zona do euro é compatível com a Constituição do país apesar de uma nova reclamação apresentada por um legislador alemão.

A Corte Constitucional da Alemanha, com sede em Karlsruhe, vai decidir na quarta-feira se o fundo de resgate, o Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM), pode ir adiante.

"Nós, como governo federal, estamos convencidos de que o ESM está em linha com a Constituição. Nós apresentamos essa situação na corte em Karlsruhe", disse o porta-voz do governo Steffen Seibert em entrevista à imprensa.