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Para Spencer Dale, economista-chefe do BoE, inundações de títulos do governo chegando ao mercado pode reduzir a demanda dos investidores por ativos do setor privado

Agência Estado

Economista-chefe do BoE diz que onda de estímulos deve ser curta
Getty Images
Economista-chefe do BoE diz que onda de estímulos deve ser curta

Conceder mais estímulo monetário à economia do Reino Unido pode não ser a coisa certa a se fazer, disse neste sábado Spencer Dale, economista-chefe do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), durante uma conferência no Trinity College, em Dublin. Em discurso sobre os limites do poder dos bancos centrais e os riscos associados a períodos prolongados de política monetária muito frouxa, ele afirmou que o conhecimento que os representantes de BCs têm da economia é imperfeito e é preciso agir com cuidado na hora de estabelecer as políticas.

"Os formuladores de políticas monetárias enfrentam substancial incerteza. Não se trata de ser derrotista ou fracote; é um fato da vida. E precisa ser levado em conta ao decidirmos quão ambiciosos devemos ser em nossos objetivos de política monetária", disse Dale, de acordo com um texto de seu discurso. "Eu temo que, a menos que os limites de política monetária sejam bem compreendidos, uma lacuna maior pode se desenvolver entre o que esperamos dos bancos centrais e o que eles podem oferecer de modo realista."

O Comitê de Política Monetária do BoE decidiu na quinta-feira manter a taxa básica de juro em uma mínima recorde de 0,5% e a meta para o atual programa de compra de bônus em 375 bilhões de libras (US$ 597 bilhões). A meta foi elevada em 50 bilhões de libras em julho, uma medida à qual Dale se opôs.

O fraco desempenho da economia britânica pode refletir não apenas a fraca demanda, mas também a perda de capacidade para produzir bens e serviços, consequência da crise financeira que derrubou o Lehman Brothers Holdings, em 2008. Na avaliação do economista-chefe do BoE, os danos à capacidade de produção da economia sugerem que conceder mais estímulo apenas alimentará a inflação. "Se o freio de mão do seu carro está emperrado, acelerar ainda mais não o levará muito longe até que o carro comece a superaquecer", explica.

Dale ganhou a reputação de adotar uma postura agressiva depois de se posicionar a favor de elevar as taxas de juro no começo e em meados de 2011. Assim, suas visões não surpreendem os investidores. Mas as declarações sublinham um crescente racha no comitê do BoE sobre a direção da política monetária e pode levantar dúvidas entre os participantes do mercado sobre a probabilidade de mais compras de bônus ou novas rodadas de afrouxamento monetário (quantitative easing) neste ano.

Para Dale, períodos prolongados de juro baixo e compras de ativos em larga escala podem causar problemas para uma economia. "A política monetária pode e deve fornecer suporte de curto prazo em momentos de necessidade, mas deve evitar se tornar uma muleta de longo prazo obstruindo o reequilíbrio necessário da nossa economia", disse.

Os bancos centrais também podem enfrentar outros problemas, observa o economista-chefe. Uma inundações de títulos do governo chegando ao mercado pode reduzir a demanda dos investidores por ativos do setor privado, afirma. Ele acrescentou que o financiamento do BoE para o esquema de empréstimos, que visa a ampliar os acesso ao crédito para famílias e empresas ao canalizar os fundos do BC para bancos comerciais, "tem boa chance de fazer uma diferença material" para economia. As informações são da Dow Jones.