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Gregos passariam a trabalhar seis dias na semana, teriam horas de trabalho flexibilizadas e o tempo de descanso se reduziria a 11 horas diárias, em carta que detalha plano de resgate

Gregos protestam contra medidas de austeridade adotadas pelo governo para reduzir déficit
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Gregos protestam contra medidas de austeridade adotadas pelo governo para reduzir déficit

A Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI, os principais credores da Grécia, pediram que o governo reduza o fim de semana como parte do termo de resgate do país. 

A demanda por aumentar o número de dias trabalhados foi revelada ontem pelo jornal britânico "The Guardian" na noite desta quarta, que teve acesso a um documento no qual os credores insistiam numa reforma radical do mercado de trabalho. Ela envolve aumento no número de horas trabalhadas, horários flexíveis e salários menores.

Os credores devem entregar no próximo mês um veredito sobre se a Grécia deverá permanecer ou não na zona do Euro.

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Enviado na semana passada aos ministros gregos das Finanças e do Trabalho, recomenda ao governo estender a semana de trabalho ao fim de semana, fazendo com que todos os setores trabalhem seis dias. 

Também diz que os trabalhadores devem ter o horário de trabalho flexibilizado e que o tempo de descanso deve ser reduzido a 11 horas diárias. As instruções contidas no documento mantêm o foco nas reformas do mercado de trabalho, exigindo que a inspetoria nacional de trabalho seja radicalmente reformada e colocada sob supervisão europeia.

"É preciso haver um 'piso salarial instituído por decreto' permanente, o que é visto como um incentivo para fazer com que as pessoas voltem a trabalhar em um país onde o desemprego ronda os 30%.

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Segundo carta, "o desemprego está alto demais, e são necessárias políticas para impedir que isso se torne estrutural." O documento também pede que os custos não trabalhistas sejam reduzidos, que os benefícios sociais dos empregados sejam cortados e que uma desregulação do mercado de trabalho.

O governo grego está lutando para elaborar políticas para cortar cerca de 11,6 bilhões de euros em custos, sendo que as ações deveriam ter sido implementadas em junho para assegurar o recebimento da próxima parcela de resgate de mais de 30 bilhões de euros, em outubro.

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O primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, pede para tempo - quatro anos em vez de dois - para atingir as metas de redução de déficit e cortar os custos.

No entanto, estender o prazo máximo exigiria mais ajuda da zona do euro e um terceiro pacote de resgate, mas há pouca predisposição para a criação de mais fundos de resgate na zona do euro.