Tamanho do texto

Titular das Finanças rejeitou conceder ao BCE poder para monitorar bancos da zona do euro, dizendo que ele deve se focar apenas em instituições sistematicamente importantes

Reuters

O ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, rejeitou nesta segunda-feira um plano da Comissão Europeia para dar ao Banco Central Europeu (BCE) poderes totais para monitorar todos os bancos da zona do euro, dizendo que ele deve se focar, em vez disso, apenas em instituições sistematicamente importantes.

Os planos da Comissão de dar ao BCE o poder de supervisionar todos os bancos tem a intenção de ser o primeiro passo em direção a uma união bancária europeia total. O órgão executivo da União Europeia (UE) deve publicar suas propostas detalhadas sobre a supervisão bancária em 12 de setembro.

MaisAlemanha adverte contra "falsas expectativas" antes de reunião do BCE

"O próprio BCE já afirmou que não tem o potencial de supervisionar 6 mil bancos da União Europeia no futuro próximo", afirmou Schaeuble a uma rádio alemã, expressando ceticismo sobre o cronograma previsto nas propostas da Comissão.

"Eu tenho dúvida se isso (supervisão bancária) pode acontecer tão rápido", disse ele, acrescentando que deveria ser feita uma diferenciação entre bancos menores e instituições sistematicamente relevantes.

"Com os bancos maiores, sistematicamente relevantes ... há uma chance de a supervisão direta do BCE ser feita num futuro próximo", disse Schaeuble.

TambémPara Espanha, Banco Central Europeu "atuará em consequência" da crise

O plano do comissário da UE Michel Barnier tiraria muito da autoridade dos supervisores nacionais, deixando-os com tarefas rotineiras como proteção ao consumidor. Mas os países da zona do euro devem aprovar a proposta para que ela se torne lei.

Schaeuble disse que os ministro das Finanças da zona do euro podem estudar as propostas da Comissão em 15 de setembro.

Apesar da presença de aproximadamente 6.000 mil bancos na UE, a ampla maioria é de bancos pequenos e relativamente insignificantes, e mais de 90% de todos os ativos são detidos por cerca de 200 instituições, segundo analistas.

E aindaOCDE pede a Banco Central Europeu que retome operação de compra de títulos

Schaeuble não deixou claro quais instituições ele considera serem "sistematicamente importantes". As 200 incluem a estatal alemã Landesbanks e as "cajas" espanholas, nas quais surgem muitos dos problemas do setor bancário europeu.

Berlim quer manter sua estatal Landesbanks, com sua agradável relação com políticos e empresários, fora das garras de supervisão do BCE.