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Banco dos bancos centrais diz ainda que será preciso fazer uma união bancária, um ajuste estrutural e um reequilíbrio fiscal na região

O Banco Internacional de Compensações (BIS), o banco dos bancos centrais, avalia que para superar a crise a Europa precisa recapitalizar os bancos, fazer a união bancária, ajuste estrutural e o reequilíbrio fiscal. Embora a tarefa seja considerada por analistas quase impossível no momento diante da falta de vontade política, o BIS diz que isso "frearia a interação nefasta entre o setor bancário e o risco soberano e suprimiria outras interdependências responsáveis do grau de gravidade dessa crise".

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"Os bancos da Europa precisam se tornar bancos europeus", diz o BIS, estimando que união bancária restauraria a confiança na moeda única. Em relatório para sua assembleia anual, que reuniu até ontem bancos centrais de boa parte do mundo, o BIS mostrou uma visão pessimista sobre a economia mundial, e que afetará mesmo os emergentes mais sólidos.

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Constata que cinco anos desde a eclosão da crise financeira, os desequilíbrios não só perduram na economia mundial, como "as vulnerabilidades se amplificam" e as perspectivas das finanças públicas dão "vertigem". Alerta que um crescimento economico mundial melhor repartido e mais sólido "está fora de alcance".

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Economias desenvolvidas e emergentes se encontram espremidas "em círculos viciosos, geradores de distorções", acumulando desafios para ajuste estrutural, novas orientações monetária e fiscal e dificuldades de reforma financeira.

Aponta três grupos que devem fazer ajustamentos: o setor financeiro deve reconhecer suas perdas e se recapitalizar; os governos devem enquadrar as finanças publicas "em trajetórias sustentáveis"; e as famílias e empresas devem reduzir seu endividamento.

O problema é que sem a desalavancagem sincronizada, o que um faz agrava o problemas dos outros dois. No cenário de crise, e sem os governos fazerem o dever de casa, o BIS adverte que os bancos centrais estão excessivamente expostos e confrontados a riscos, com programas de aquisição de títulos para sustentar a liquidez bancária.

Os BCs são praticamente obrigados a prolongar os estímulos monetários face a demora dos governos, o que retarda o ajuste. Os balanços dos bancos centrais chegam a US$ 18 trilhões, equivalente a 30% do PIB mundial, duas vezes mais que há dez anos. Para o BIS, taxas de juros nominais próximas de zero conjugadas a um apoio de liquidez maciço e quase incondicional "nao incitam muito o setor privado a limpar seus balanços nem as autoridades fiscais a limitar seus financiamentos". 

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