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Para ex-ministro da Fazenda, esse é o prazo para que se firme um entendimento, entre os países europeus, da necessidade de uma união política, fiscal e bancária

A crise europeia deve persistir ainda pelos próximos dez anos, segundo avaliação feita nesta quinta-feira pelo ex-ministro da Fazenda e professor Antonio Delfim Netto. Esse é o prazo para que se firme um entendimento, entre os países europeus, da necessidade de uma união política, fiscal e bancária.

"O Banco Central Europeu (BCE) precisaria assumir o papel de um banco central de verdade", afirmou durante participação no seminário "Futuro do Seguro Massificado", realizado pelo Valor Econômico. Isso significaria centralizar a emissão de papéis de dívida soberana da zona do euro, ao mesmo tempo em que daria mais tempo aos países europeus com problemas para pagar suas dívidas. "É preciso distribuir o sofrimento entre os membros da federação", acrescentou.

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"Não adianta dizer que o grego comeu demais, ele não pode descomer." Delfim Netto acredita que devem ocorrer "soluços" enquanto os europeus se preparam para a ideia de ampliar as bases da União Europeia, mas eles devem arrefecer com o tempo.

O documento final do encontro de cúpula do G-20 - grupo que reúne as maiores economias do mundo -, realizado nesta semana, traz o compromisso dos países europeus de tomar "todas as medidas para salvaguardar a integridade e a estabilidade da zona do euro, melhorando o funcionamento dos mercados financeiros e quebrando o movimento de retroalimentação negativa entre dívidas soberanas e os bancos".

Colapso

O que poderia atuar como golpe fatal para solução da crise europeia, na visão do professor, seria a possível quebra de um banco europeu, cenário que ele vê como "pouco provável" diante das medidas que os países do continente têm tomado para proteger o sistema financeiro.

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Entre dezembro e fevereiro, o BCE emprestou mais de 1 trilhão de euros para os bancos comerciais da zona do euro, em uma tentativa de fortalecer o crédito para a economia real da região. Os empréstimos também tiveram o efeito de reduzir os custos dos financiamentos soberanos no mercado, pois os bancos investiram parte dos fundos em títulos dos governos.

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