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Para executivo do Asian Development Bank, crise na Europa e nos EUA obrigará países emergentes a desenvolverem seus próprios mercados

Diretor-geral do Asian Development Bank (ADB) – Banco de Desenvolvimento da Ásia -, Seethapathy Chander avalia que a crise econômica que atinge a Europa e, em menor escala, os Estados Unidos, pode ser bastante benéfica para os países emergentes no médio prazo. Segundo ele, Brasil, China, Índia, Rússia e África do Sul, apenas para citar alguns países m desenvolvimento, devem aproveitar o atual cenário para investir no crescimento de seus mercados internos e reduzir a dependência das exportações.

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“Se você olhar para os países que fazem parte da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), eles têm mercados autossustentáveis. Esse é o próximo passo no desenvolvimento dos emergentes, como Brasil e China, que ainda precisam desenvolver seus mercados domésticos. Por isso, acredito que seríamos muito ingênuos se afirmássemos que hoje não estamos expostos à crise na Europa e nos Estados Unidos”, afirmou, em entrevista ao iG, o diretor do ADB, que empresta, por ano, cerca de US$ 14 bilhões e representa 67 países da Ásia e Pacífico, como China, Vietnã, Japão e Índia.

Sobre os desdobramentos da crise na Europa após as eleições gregas, Chander foi taxativo: “A Europa tem o dinheiro suficiente para resolver todos os seus problemas. O ponto agora é descobrir se a zona do euro está disposta a usar esses recursos para salvar toda a Europa ou apenas parte dela”, disse o executivo, que participou nesta terça-feira do Business Day, evento paralelo à Rio+20.

Questionado sobre a China, o presidente do ADB ressaltou que é preciso considerar a escala da economia chinesa. “A China estava crescendo a taxas de 10% e agora cresce aproximadamente 6% ao ano. Apesar da queda, ainda é muito bom. Pense nas grandes economias ocidentais. Se alguma delas crescer mais de 3% já é motivo de comemoração”.

A despeito da decepção generalizada quanto ao documento final apresentado pelo Brasil durante a Rio+20, o diretor do ADB ainda demonstrou algum otimismo. Segundo ele, esperar que houvesse um único documento, assinado após poucos dias de discussão, que contemplasse as necessidades de todos os países e setores da economia, era uma expectativa irreal. “Acredito que conseguimos o principal neste momento: mobilizar os países e governos em torno de uma causa. Agora, temos como missão começar a entrar nos detalhes de cada item", destacou.

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