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Grécia começa a negociar coalizão nos moldes ditados pela União Europeia e pelos EUA

Antonis Samaras, da Nova Democracia, se reúne com Evangelos Venizelos, do socialista PASOK
AP
Antonis Samaras, da Nova Democracia, se reúne com Evangelos Venizelos, do socialista PASOK

Os governos europeus que apoiam o plano de austeridade para a Grécia respiram melhor na segunda-feira, após a confirmação da vitória do partido centrista conservador Nova Democracia na Grécia.

Os mercados europeus não registraram alta significativa na manhã da segunda-feira, o que é um bom sinal.

Enquanto o vencedor da Nova Democracia comemorou sua vitória nas eleições parlamentares de domingo, o partido Syriza, que se opunha aos termos do resgate financeiro internacional ao país e ficou em segundo lugar, disse que vai liderar a oposição.

Com 99% da contagem concluída, a Nova Democracia ganhou 29,7% dos votos (equivalente a 129 lugares), Syriza 26,9% (71) e o PASOK socialista, que também apoia o plano de austeridade com 12,3% (33 assentos).

Há 300 assentos no Parlamento grego e no país o partido majoritário recebe 50 assentos extras.

Coalizão

Sem tempo para comemorar a vitória, o líder do partido, Antonis Samaras começa agora a negociar para formar uma coalizão o mais rapidamente possível, como foi solicitado por parte da União Europeia e dos Estados Unidos.

Estima-se que a coligação governista seja formada entre o Nova Democracia e PASOK. Eles podem precisar de apoio de um terceiro partido.

Muitos comentaristas destacavam a enorme atenção internacional gerada pelo pleito grego. A chanceler alemã, Angela Merkel havia advertido sobre o perigo de vitória de um partido contrário ao plano de austeridade.

"A zona do euro foi salva por agora" foi uma das frases mais repetidas após a confirmação da vitória do partido de Samaras.

A reação da mídia americana também foi de alívio, com a imprensa classificando o resultado como positivo para a economia dos EUA.

Mercados acionários da Ásia também responderam positivamente. Os preços das ações subiram no Japão, Hong Kong, Austrália e Coreia do Sul.

Continuidade

O sentimento predominante é o de ter dado um passo para trás da beira do precipício e recuperar alguma estabilidade depois de semanas de incertezas e conjecturas.
Mas analistas dizem que há muito ainda a ser feito.

Merkel felicitou o líder da Nova Democracia e disse esperar a continuidade das reformas.
O editor europeu da BBC, Gavin Hewitt, disse que Samaras deve ter uma "forte oposição seguindo seus passos atentamente".

Para ele, Samaras deve dizer para a União Europeia que manteve a Grécia na zona do euro e vai querer algo em troca.

Hewitt acredita que pode haver flexibilidade no tempo de execução das reformas, embora não na quantia emprestada ao país.

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