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País espera que o próximo governo grego se comprometa com os termos do resgate, que continuam fechados à negociação

A Alemanha espera que o próximo governo grego se comprometa com os termos do resgate, que continuam fechados à negociação, afirmaram autoridades nesta segunda-feira, enquanto comentários do ministro do Exterior sobre dar mais tempo a Atenas para realizar as reformas foram rapidamente desconsiderados.

Berlim saudou a eleição de domingo na Grécia, com a vitória do partido Nova Democracia sobre o bloco da esquerda-radical SYRIZA, com uma decisão clara de que os gregos querem continuar na zona do euro e respeitar os termos do resgate impostos pela Europa e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

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O vice-ministro das Finanças da Alemanha disse que os credores da Grécia na União Europeia (UE) consideraram que novas parcelas do empréstimo dependeriam do compromisso do novo governo grego com as reformas, enquanto o ministro do Exterior da Alemanha, Guido Westerwelle, deixou claro que o Estado endividado da zona do euro ainda tem muito trabalho a fazer.

"A essência das reformas não é negociável", disse o ministro a uma rádio alemã. "Independente do governo formado, ele deverá se comprometer com o que foi acertado com a Europa."

Mas as opiniões pareciam estar divididas em Berlim sobre se concessões, se houver alguma, podem ser feita agora que a Grécia entregou o resultado da eleição que a própria chanceler Angela Merkel pediu na véspera da votação.

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"Está claro para nós que a Grécia não deve ser pressionada demais", afirmou o vice-ministro das Finanças, Steffen Kampeter, a uma rede de televisão alemã.

Westerwelle foi ainda mais longe, dizendo que tempo para reformas havia sido "perdido" durante a campanha eleitoral e que o impacto disso precisava ser discutido. "Nós estamos prontos para conversar sobre um calendário, ao passo que não podemos ignorar as semanas perdidas e nós não queremos que as pessoas sofram por causa disso", afirmou o ministro.

Mas outras autoridades alemãs, falando em condição de anonimato, disseram que os comentários de Westerwelle não representam a linha do governo e que a base de negociação continuava sendo o memorando de entendimento assinado com a Grécia.

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Questionado sobre a possibilidade de dar mais tempo para a Grécia, uma das fonte afirmou: "Esqueça. Isso nos deixaria muito mais próximos de um terceiro programa para a Grécia e nós estamos muito longe disso."

"É claro que precisaremos conversar com o governo grego, mas isso não está sobre a mesa", acrescentou a fonte.

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