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Vencedor ganha 50 cadeiras extras, espécie de bônus, o que levaria o Nova Democracia e o Pasok, que também apoia o resgate, a 161 das 300 cadeiras do Parlamento

Partidos comprometidos com um pacote de resgate financeiro para a Grécia devem conquistar uma pequena maioria parlamentar na eleição realizada no domingo, resultado que poderia manter o endividado país na zona do euro, segundo projeções oficiais da votação.

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A estimativa do Ministério do Interior após 80% votos serem contabilizados mostrava o conservador Nova Democracia com 30,07% dos votos e o bloco esquerdista radical Syriza logo atrás, com 26,55% cento. O partido socialista Pasok estava com 12,5% dos votos.

Como o partido vencedor ganha mais 50 cadeiras, numa espécie de bônus, esse resultado levaria o Nova Democracia e o Pasok, que também apoia o plano de resgate, a um total de 161 das 300 cadeiras do Parlamento, formando assim uma aliança comprometida com o pacote de resgate de 130 bilhões de euros (164 bilhões de dólares) concedidos pela União Europeia/Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar a falência do país.

O Nova Democracia vai iniciar suas tentativas de formar um novo governo o mais rápido possível, disse à Reuters o líder Antonis Samaras depois dos resultados da projeção oficial.

"Estou aliviado. Estou aliviado pela Grécia e pela Europa. Formaremos o novo governo o mais rápido possível".

"O povo grego votou hoje para ficar dentro da Europa e para ficar dentro da zona do euro", disse ele. "Não haverá mais aventuras; o lugar da Grécia na Europa não será colocado em dúvida, os sacrifícios do povo grego renderão frutos".

Ele prometeu que o país cumpriria seus compromissos com os parceiros da zona do euro e disse que ele tentaria introduzir políticas para estimular o crescimento da fragilizada economia grega.

Esquerda opositora

Por seu lado, o bloco da esquerda radical Syriza disse a seu rival que formasse seu governo sem ele, já que manterá sua oposição ao plano de resgate internacional grego.

O Syriza, liderado pelo ex-comunista Alexis Tsipras, de 37 anos, prometia romper termos do acordo se vencesse a eleição, o que potencialmente levaria o país a deixar a zona do euro e abalaria os fundamentos da moeda única.

"O Sr. (Alexis) Tsipras telefonou para Antonis Samaras e disse pare ele ir em frente e formar o governo sem o Syriza e disse que o Syriza é a agora o principal partido de oposição", disse o porta-voz do Syriza, Panos Kourletis, à Reuters.

Mais tarde, o próprio Tsipras reforçou que "a partir de segunda-feira, nós continuaremos a batalha". Seus seguidores gritavam: "Hoje foi só o começo. Nós vamos lutar para derrubar essas políticas."

O Pasok disse que os socialistas apoiariam o governo da Nova Democracia, seja governando com ele ou votando com o governo no Parlamento. O Pasok afirmou também que queria que o governo incluísse o Syriza, mas os radicais descartaram essa opção.

Repercussão

A Casa Branca afirmou esperar que o resultado da eleição na Grécia leve à formação de um sólido novo governo que consiga avançar rapidamente frente aos desafios econômicos.

"Como o presidente (Barack) Obama e outros líderes mundiais disseram, acreditamos que seja interesse da Grécia permanecer na zona do euro e respeitar seu compromisso com as reformas", disse Jay Carney, porta-voz de Obama.

Os credores da Grécia dizem que o novo governo tem de aceitar as condições do pacote de resgate, do contrário os fundos serão cortados, levando o país à falência.

Em nota, os ministros das finanças da zona do euro disseram que os termos do resgate continuam sendo a melhor forma tirar Atenas da crise.

"O Eurogroup reconhece os esforços consideráveis já feitos pelos cidadãos gregos e está convencido que a continuidade das reformas econômicas e sociais são a melhor garantia para a Grécia superar os desafios econômicos e sociais para um futuro mais próspero para a Grécia na zona do euro", disseram os ministros.

Com seu poder de liderar o movimento pró-austeridade, a Alemanha afirmou que o resultado significava o comprometimento dos gregos com o plano de resgate.

"O governo federal alemão considera esse resultado uma decisão por parte dos eleitores gregos para seguir adiante com a implementação com as amplas reformas econômicas e fiscais", disse o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble em comunicado.

O euro atingiu a maior alta em três semanas frente ao dólar após a notícia, iniciando o dia cotado a 1,2730 dólar por euro na segunda-feira no mercado australiano, frente a 1,2655 dólar no fechamento da sexta-feira em Nova York.

"O que se destaca é quão perto o Syriza chegou da vitória... então esperamos uma oposição acirrada às medidas de austeridade", disse Daragh Maher, estrategista do mercado cambial no banco HSBC em Londres.

"Os mercados vão estar preocupados em ver quão estreita a margem de vitória será para a Nova Democracia e quaisquer ganhos no euro e em outros mercados serão limitados".

A saída da Grécia da zona do euro teria o potencial de desencadear abalos que poderiam até mesmo romper a unidade monetária europeia e lançar a economia mundial no caos.

Líderes mundiais reunidos na Cúpula do G20 a partir de segunda-feira, no México, vão acompanhar de perto os desdobramentos da eleição.

Dois oficiais da União Europeia saudaram os resultados preliminares da eleição, falando desde Los Cabos, no México.

"O segundo programa de ajuste econômico entre a Grécia e o Grupo Europeu é a base na qual se construirão o crescimento, a prosperidade e os empregos para o povo grego", disseram em nota conjunta o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso e o presidente da Comissão Europeia, Herman Van Rompuy.

"Continuamos prontos para ajudar a Grécia a atingir esses objetivos", afirmaram, antes do início do encontro das 20 maiores nações em desenvolvimento.

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