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Para presidente do grupo, vitória da esquerda pode acarretar saída do país da zona do euro

ATENAS (AFP) - O presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, alertou neste sábado que uma vitória da esquerda radical na Grécia levaria a zona do euro a consequências "imprevisíveis", enquanto o país se prepara para eleições cruciais no domingo.

"Se a esquerda radical vencer, as consequências para a união monetária são imprevisíveis", disse Juncker, que lidera os ministros das Finanças dos países da zona do euro e também é primeiro-ministro de Luxemburgo, em entrevista ao jornal austríaco Kurier.

Seus comentários foram endossados na Alemanha por Wolfgang Bosbach, um legislador-chave e aliado próximo da chanceler alemã, Angela Merkel, em trechos da entrevista a um jornal de Frankfurt que será publicada no domingo.

"Se a esquerda radical continuar dizendo que quer a ajuda de todos os demais países da zona do euro, mas que não oferecerá nada em retorno, então será apenas uma questão de tempo para a Grécia sair" do euro, disse Bosbach.

A chanceler alemã Angela Merkel considerou importante neste sábado que os gregos elejam uma maioria que respeite os compromissos assumidos por seu país em termos de austeridade.

"É muito importante que as eleições gregas concluam com um resultado que permita que os que formarem um governo digam: 'Sim, queremos respeitar nossos compromissos'", declarou a dirigente em um congresso de seu partido em Darmstadt (oeste).

O líder do partido de esquerda radical Syriza, Alexis Tsipras, afirmou que acabará com o acordo de resgate que deu à Grécia crédito em troca de cortes orçamentários, e disse que iria renegociar o acordo com os credores.

"O acordo de resgate já é passado. Será história para sempre na segunda-feira", disse o candidato de 37 anos nesta semana. Ele deu a si mesmo um prazo de 10 dias para negociações - a tempo para a cúpula de líderes europeus em 28 e 29 de junho.

O chefe do partido Syriza disse que o humor na Europa está virando contra a austeridade e que a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) não querem arriscar uma saída da Grécia do euro, que causaria turbulências à economia global.

Em seu último comício em Atenas, Tsipras acusou seu rival, o conservador líder da Nova Democracia, Antonis Samaras, 61 anos, de defender "a Europa de Angela Merkel do passado". "Nós garantimos a Europa do futuro", disse.

Samaras quer uma renegociação mais moderada do acordo e acusa Tsipras de brincar com fogo. Em seu último comício, disse: "vamos sair da crise. Não vamos sair do euro. Não deixaremos ninguém nos tirar da Europa".

Em comentários públicos, líderes europeus alertam que a Grécia precisa respeitar seus compromissos internacionais com o risco de ser obrigada a deixar a zona do euro, e UE e FMI suspenderam os empréstimos até depois das eleições.

A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, disse que as conversas com o novo governo na Grécia precisam ocorrer "na semana que vem". "Temos tempo de realizar uma nova revisão do programa atual que deve ser iniciado rapidamente, depois que um gabinete assumir", disse.

"Nós não sabemos realmente o que foi implementado, o que foi respeitado ou não nas últimas seis ou oito semanas", disse Lagarde ao jornal francês Liberation, e enfatizou a necessidade da Europa fortalecer a zona do euro.

Os colégios eleitorais na Grécia abrem às 04h00 GMT (01h00 de Brasília) de domingo e fecham às 16h00 GMT (13h00 de Brasília), e os primeiros resultados são aguardados para as 18h30 GMT (15h30 de Brasília).

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