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Jean-Marc Ayrault negou que a França esteja tentando formar uma parceria com Itália e Espanha contra Merkel e a austeridade

O primeiro-ministro francês, Jean-Marc Ayrault, tentou diminuir as tensões com a Alemanha, garantindo que a França não está tentando isolar a chanceler alemã, Angela Merkel, ao buscar novas soluções para a crise da dívida na zona do euro.

O novo presidente da França, François Hollande, tem tentado mostrar que pode manter suas convicções diante de Merkel enquanto tenta mudar o foco da Europa para a retomada do crescimento em vez das medidas de austeridade defendidas pela Alemanha, que por anos foram compartilhadas pelo governo francês.

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O socialista Hollande buscou firmar alianças com os líderes da Itália e Espanha e, quebrando o protocolo, reuniu-se com importantes membros da oposição alemã.

Ayrault, ex-professor de alemão, negou que a França esteja tentando formar uma parceria com Itália e Espanha contra Merkel e a austeridade.

Perguntado em entrevista à rádio Europe 1 se a França estava buscando essa aliança, Ayrault respondeu: "Absolutamente não. Esse seria o caminho errado. Essa não é absolutamente a minha posição nem a da França."

Em visita a Roma na quinta-feira, Hollande pediu que a zona do euro considere novos instrumentos financeiros, como bônus emitidos conjuntamente e resgates da UE a bancos, entrando em choque com as posições defendidas por Merkel. Para a chanceler alemã, essas "soluções milagrosas" não surtirão efeito.

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Hollande deve defender sua posição novamente em uma reunião no dia 22 de junho em Roma com Merkel e os primeiros-ministros de Itália e Espanha, uma semana antes de uma cúpula da UE para adotar novas medidas de incentivo ao crescimento e à estabilidade fiscal.

Questionado se tinha alguma mensagem para Merkel, Ayrault disse em alemão: "Temos a mesma responsabilidade de dar um futuro à Europa."

Com apenas um mês na Presidência, Hollande assumiu os riscos de confrontar a chanceler de centro-direita alemã ao convidar líderes da oposição de esquerda ao Palácio do Eliseu para discutir a situação da zona do euro. Um novo presidente tradicionalmente receberia primeiro a chefe de Estado e só depois a oposição.

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Hollande espera que a esquerda francesa obtenha uma larga maioria parlamentar no segundo turno das eleições, no domingo, algo que ele precisa para fortalecer suas posições sobre a zona do euro.

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