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Para chanceler alemã, qualquer solução rápida para a crescente crise da dívida na zona do euro é contraprodutiva

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta quinta-feira que qualquer solução rápida para a crescente crise da dívida na zona do euro é contraprodutiva, afirmando que a Europa deve, em vez disso, buscar uma "tarefa hercúlea" por maior integração política.

Falando ao Parlamento antes de uma reunião dos líderes do G20 em Los Cabos, no México, na próxima semana, a chanceler (primeira-ministra) alemã reiterou sua oposição a "soluções milagrosas" como os eurobônus e um esquema de depósito de garantias bancárias para a toda a Europa.

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"A Alemanha é forte, a Alemanha é o motor econômico e a Alemanha é a âncora da estabilidade na Europa. Digo que a Alemanha está colocando a sua força e o seu poder à disposição do bem estar do povo, não apenas da Alemanha, mas também para ajudar a unidade europeia e a economia global", disse Merkel. "Mas nós também sabemos que a força alemã não é infinita."

Preocupações sobre a crise da dívida na Europa, que surgiram inicialmente no fim de 2009, cresceram nos últimos meses após um contágio para países maiores do bloco de moeda única.

A Espanha anunciou no fim de semana que buscaria um pacote de resgate de até 100 bilhões de euros (US$ 125 bilhões) para os bancos do país.

No domingo, a Grécia terá eleições em que um partido radical de esquerda que se opõe aos termos rígidos do resgate internacional ao país pode sagrar-se vitorioso, aumentando os riscos de saída da Grécia do euro.

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Aliados da Alemanha, incluindo os Estados Unidos, têm cobrado da Alemanha ações mais radicais para combater a crise e Merkel reconheceu em seu discurso que "todos os olhos" estarão voltados para Berlim em Los Cabos, onde os líderes do G20 também vão discutir reformas no FMI e o "crescimento verde".

"Não importa o quão importantes são os outros temas, eles serão ofuscados em Los Cabos por um que tem nos preocupado na Alemanha, na Europa e internacionalmente pelos últimos dois anos, e esse é a crise da dívida soberana europeia", disse Merkel.

"Esse será o tema central. Isso vai dominar as discussões. E não há dúvida de que nós, a Alemanha, seremos o centro das atenções. É isso. Todos os olhos estarão focados na Alemanha porque nós somos a maior economia da Europa, porque somos um grande exportador."

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Mas ela rejeitou "soluções fáceis" envolvendo a mutualização da dívida europeia, classificando isso de contraprodutivo, e afirmou que é algo constitucionalmente impossível na Alemanha.

"Não fazemos política para os mercados, mas para o futuro do povo em nosso país", disse Merkel.

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