Tamanho do texto

Rumores indicam que país poderia preferir contrair empréstimos junto à Rússia ou China

Chipre está mirando tanto a Europa e quanto outros países em busca dos melhores termos de resgate possíveis, afirmou o presidente do banco central do país nesta quarta-feira, Panicos Demetriades, em meio a notícias na imprensa local de que a terceira menor economia da zona do euro poderia preferir contrair empréstimos junto à Rússia ou China.

As especulações de que um resgate internacional para Chipre estaria iminente são cada vez maiores, mas seu governo comunista tem deixado o mercado no limbo sobre se recorrerá ao mecanismo de resgate da UE, ou se falará com a Rússia -forte aliado- ou China.

"Se eventualmente solicitarmos, porque não está decidido que iremos solicitar, e também há outras opções, iremos buscar os melhores termos possíveis para a economia", disse o presidente do BC cipriota.

MaisChipre está cada vez mais perto de pedir ajuda externa

Esse pequeno país da zona do euro, fora há mais de um ano dos mercados de capitais, precisa encontrar até o final do mês o equivalente a 10% do seu PIB para recapitalizar o Banco Popular de Chipre, caso nenhum investidor privado se interesse.

Empréstimos bilaterais, que o ministro das Finanças cipriota descreve repetidamente como não sendo a opção preferida, estão voltando a surgir como o cenário mais provável.

A Rússia, que resgatou Chipre no ano passado e é um importante parceiro comercial, voltou a ser citada nos jornais como possível origem de um empréstimo.

O diário Haravghi, porta-voz do partido governista Akel, disse que há negociações para contrair empréstimos sob termos "mais favoráveis" junto a um terceiro país, que não foi identificado. Quatro outros jornais cipriotas, no entanto, disseram se tratar da Rússia.

Chipre habitualmente manifesta cautela quanto às contrapartidas exigidas num eventual resgate da União Europeia, e sua maior preocupação é preservar o atual imposto de 10% sobre os lucros corporativos. Medidas de austeridade adotadas após pacotes semelhantes em outros países endividados, como a Grécia, causaram profunda reação popular.

Por outro lado, recorrer a um empréstimo bilateral, ao invés de um resgate da UE, causaria espanto no bloco, ainda mais porque Chipre assume a presidência da UE em 1o de julho.

O economista Stelios Platis disse que o governo pode estar acenando com a possibilidade de um empréstimo bilateral a fim de extrair termos melhores num resgate da UE.

"Eles querem esgotar todas as opções e o tempo para buscar meios alternativos para se financiar. Na minha opinião, é uma ideia infeliz que isso possa ser negociado. É a estratégia errada, não se pode usar isso como alavancagem."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.