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Segundo a instituição, as economias em desenvolvimento correm o risco de enfrentar uma nova espiral de instabilidade com "fundamentos mais frágeis" que há cinco anos

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O Banco Mundial recomendou nesta terça-feira que os países emergentes se preparem para um "longo período de volatilidade na economia global", resultante da instabilidade nos países europeus de renda alta.

Tendo usado grande parte de sua "munição" em 2008 e 2009, para superar os momentos iniciais da crise financeira, as economias em desenvolvimento agora correm o risco de enfrentar uma nova espiral de instabilidade com "fundamentos mais frágeis" que há cinco anos, avaliou a instituição.

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"Não vemos isto como um cenário de base, mas é possível que uma deterioração nos países de renda alta da Europa afete seriamente os países em desenvolvimento", disse o gerente de Macroeconomia Global do Banco Mundial, Andrew Burns.

"O que sugerimos é que os países em desenvolvimento replanejem alguns dos colchões e reservas que usaram tão bem em 2008 e 2009 para se recuperar daquela crise", disse. "Que reconstruam essas estratégias trazendo a política (monetária) para um estágio mais neutro e reduzindo déficits fiscais, de forma que tenham munição para lutar contra uma eventual segunda crise, se ela ocorrer."

Prospectos

Por enquanto, o relatório de projeções globais do Banco Mundial divulgado nesta terça-feira, Global Economic Prospects (GEP), não avalia que a situação econômica da Europa saia do controle. Assim, o crescimento projetado para as economias emergentes é de 5,3% neste ano e de cerca de 6% em 2013 e 2014.

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O crescimento nos países avançados, mais fraco, será de 1,4% neste ano, aumentando para 1,9% e 2,3% no biênio seguinte.

Entretanto, se a crise nos países de renda alta da Europa persistir, alerta o documento, as economias emergentes teriam menos bala na agulha para enfrentar uma segunda rodada de turbulência.

"Em média, os déficits fiscais dos países em desenvolvimento estão 2,5 pontos percentuais do PIB acima do que estavam em 2007, indicando que teriam menos capacidade de responder com estímulos fiscais no evento de uma crise mais séria", exemplifica Andrew Burns.

"A vulnerabilidade externa também aumentou. Os déficits em conta corrente dos países em desenvolvimento se deterioraram em média 2,8 pontos percentuais do PIB. Se o ambiente de financiamento internacional piorar, a falta de recursos estrangeiros pode forçar alguns países a cortar gastos ou importações", avaliou.

Volatilidade

Para os especialistas do Banco Mundial, mesmo se a situação não sair do controle, essas vulnerabilidades acarretarão mais volatilidade de fluxos de capital e incertezas por parte de investidores, prevê o relatório.

O diretor de Desenvolvimento e Prospectos da instituição, Hans Timmer, disse que para gerenciar seu crescimento neste ambiente volátil, os países emergentes precisarão criar espaço de resposta.

"Nesse contexto, os países em desenvolvimento devem se concentrar em reformas de aumento de produtividade e investimento em infraestrutura, ao invés de reagirem às mudanças cotidianas de ambiente internacional", afirmou Timmer.

Desde já o Banco alerta que, apesar de terem contornado bem os estágios iniciais da crise, em 2008 e 2009, "nenhum país emergente será poupado" se o panorama se deteriorar significativamente.

As expectativas de crescimento para a economia mundial são de 2,5% neste ano, subindo para 3% e 3,3% nos anos seguintes.

Mas o relatório ressalva que ainda é cedo para medir o efeito das recentes incertezas na zona do euro, e mesmo fenômenos que já vinham sendo realizados, como a redução das operações dos bancos europeus nos países em desenvolvimento.

Brasil

O Brasil é destacado entre aqueles países onde a rápida expansão do crédito – mais de 10 pontos percentuais do PIB entre 2007 e 2011 – elevou a possibilidade de empréstimos de má qualidade em um ambiente de aversão ao risco.

Além disso, a política monetária frouxa, ainda que no país acertadas por causa da desaceleração da atividade econômica, reduz o espaço de ação para prover mais estímulos no futuro.

No caso brasileiro, o Banco Mundial prevê um modesto crescimento abaixo do potencial nos próximos anos. Neste ano, a economia deve avançar 2,9%.

Já em 2013 e 2014, o país será impulsionado por causa da preparação para a Copa do Mundo e o evento em si. O aumento seria de 4,2% e 3,9%, respectivamente.

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