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Para Mario Draghi, que comanda a autoridade monetária do bloco, instituição pode não preencher o vácuo de políticas econômicas na região do euro

Os líderes europeus devem esclarecer suas visões sobre o euro rapidamente para dissipar dúvidas sobre o futuro da moeda, disse nesta quinta-feira o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, alertando que o banco pode não preencher o vácuo de políticas.

Somando-se às crescentes pressões para ações políticas dramáticas na próxima cúpula dos líderes da União Europeia (UE), Draghi afirmou que o bloco deve fugir da abordagem que falhou em antecipar-se à crise da dívida da zona do euro por mais de dois anos.

"O BCE pode preencher o vácuo da falta de ações de governos nacionais em crescimento fiscal? A resposta é não", disse Draghi ao Parlamento Europeu. "O BCE pode preencher o vácuo da falta de ação de governos nacionais sobre o problema estrutural? A resposta é não", emendou.

Em sua crítica mais forte sobre como os líderes da zona do euro estão lidando com a crise, Draghi recomendou que eles divulgassem planos detalhados para o euro e para cooperação fiscal, algo que ele acredita que exigirá dos governos a necessidade de abrir mão de parte de suas soberanias para ter sucesso.

"Como o euro estará daqui a alguns anos? Qual é a visão de união que vocês têm daqui a alguns anos? O quanto antes isso for esclarecido, melhor será", disse Draghi.

Discursando em Roma, o presidente do banco central italiano lançou uma mensagem parecida, argumentando que um caminho claro em direção à formação de uma união política era a única forma para acabar com a crise.

"Há agora dúvidas crescentes entre os investidores internacionais sobre a coesão dos governos em guiar a reforma de governança europeia e até mesmo sua capacidade de garantir a sobrevivência do bloco monetário", disse Ignazio Visco em assembleia anual do Banco da Itália.