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Para formuladores de políticas na área econômica, gastos agressivos agora podem causar problemas ao país no longo prazo

A China não precisa de forte estímulo fiscal para estabilizar o crescimento e acalmar investidores preocupados que a economia global pode cair numa crise semelhante à de 2008 e 2009, afirmaram nessa quarta-feira importantes conselheiros de política econômica.

Apesar de esperar-se que o crescimento econômico da China diminua neste ano no ritmo mais fraco em 13 anos, fazer gastos agressivos agora poderia causar problemas no longo prazo, segundo eles.

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"Eu não acho que estamos de volta nesse tipo de fase aguda de crise", disse à Reuters o vice-secretário geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Richard Boucher.

Os investidores têm especulado com força nesta semana sobre potenciais estímulos da China, olhando para o maior motor do crescimento global na medida em que o aprofundamento da crise da dívida europeia corrói a confiança dos mercados sobre a saúde da economia mundial.

Muitos traders veem agora paralelos com a crise de 2008 e 2009 -quando bancos do mundo todo perderam a confiança uns nos outros, o sistema financeiro internacional quase foi desfeito e o comércio global estagnou- especialmente com o surgimento de mais evidências sobre a desaceleração da economia chinesa.

A crise fez Pequim liberar 4 trilhões de iuans (US$ 635 milhões) num programa de estímulo para combater uma desaceleração que custou 20 milhões de empregos chineses numa questão de meses.

O estímulo ajudou a sustentar a fé dos investidores na resposta internacional para resolver a crise.

Expectativas de novo estímulo da China foram alimentadas por ações do governo nas duas últimas semanas para acelerar alguns projetos de infraestrutura e industriais, o que os economistas estimam valer cerca de 1 trilhão de iuans.

Boucher afirmou ainda que a China tem amplas ferramentas à sua disposição sem recorrer a um estímulo fiscal.

"Não é só uma questão de dinheiro. As autoridades chinesas têm toda uma variedade de ferramentas para usar visando a estabilizar o nível correto de crescimento...Acho que sinais de que o crescimento econômico da China está estabilizando, um nível mais sustentável, seria bom para todos", disse Boucher.

Analistas esperam que o crescimento econômico anual da China recue para 7,9% no segundo trimestre, a primeira queda abaixo de 8% desde 2009.

Mas a desaceleração do crescimento apenas não implica em um pouso complicado, afirmou Xia Bin, diretor do instituto de pesquisa financeira do Centro de Desenvolvimento de Pesquisa.

Segundo ele, existe espaço para o banco central cortar as taxas de empréstimo para ajudar a lidar com os riscos ao crescimento e lucros corporativos, mas excessivas ações políticas devem ser evitadas.

"Americanos e europeus gostam disso. Investidores gostam disso porque querem especular com ações. O mundo todo espera que a China relaxe a política", disse Xia à Reuters.

"Cairemos numa armadilha se fizermos isso. Não seremos tão estúpidos", completou ele, acrescentando que o governo só deve estimular o crescimento de maneira "equilibrada e modesta", enquanto avança com reformas estruturais para sustentar o crescimento no longo prazo.