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No rastro da crise financeira mundial, as diferenças entre as economias da América Latina vão ficar mais evidentes, destacando-se aquelas que aproveitaram o período de bonança encerrado em 2008 para arrumar suas contas e estabilizar suas economias. Serão destaque negativo os países que optaram por fórmulas que elevaram a insegurança para os investimentos estrangeiros.

Na avaliação de economistas e diplomatas, quando a recessão mundial começar a ceder - em meados de 2009, segundo as estimativas mais otimistas - toda a América Latina terá de ajustar sua economia a um padrão mais baixo de crescimento mundial e de oferta de liquidez.

O espaço econômico latino-americano terá duas caras: uma, capaz de se mover nesse ambiente; outra, mais isolada. O cenário traçado agrupa, de um lado, países como o Brasil, o Chile, a Colômbia e até mesmo o Peru e o México. Apesar de afetados mais incisivamente pela crise de liquidez, por sua exposição maior aos fluxos de capitais internacionais, esses países tenderão a colher os resultados das práticas macroeconômicas aplicadas na última década.

Minados pela insegurança jurídica que promoveram sobre investidores, a partir de políticas estatizantes, a Venezuela, o Equador e a Bolívia estão sob a ameaça de enfrentar dificuldades. Nesse quadro também está a Argentina que, apesar dos esforços fiscais, ainda sofre o impacto do default de 2001.

"A crise está atingindo os países latino-americanos de forma distinta. Um dos pontos que os diferenciará será a qualidade de sua política macroeconômica", afirma Otaviano Canuto, vice-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). "A qualidade da política adotada nos últimos anos já é importante na resposta imediata dos países à crise de liquidez e será ainda mais importante na fase mais dura da recessão e no momento da recuperação." As informações são do jornal "O Estado de S.Paulo".

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    José Paulo Kupfer responde:

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