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RIO - A crise internacional não deve levar os governos a um aumento da regulação do setor financeiro, mas a uma regulação mais inteligente e eficiente. A opinião é do chefe dos conselheiros econômicos do governo federal dos Estados Unidos e professor da universidade de Stanford, Edward Lazear, que participa do encontro anual do Latin American and Caribbean Economic Association (Lacea) e do Latin American Meeting of the Econometric Society (Lames), organizado pela Fundação Getulio Vargas, no Rio.

Lazear argumenta que nos Estados Unidos as normas regulatórias do setor financeiro têm pelo menos 750 páginas, de regras muitas vezes contraditórias e ultrapassadas, que não se encaixam nos modernos instrumentos de financiamento e fluxo de capitais.

"É muito tentador reagir rapidamente e com excesso, mas acho que isso é um erro. Precisamos olhar com calma, porque quando se muda uma regulação, é muito difícil desfazer o ato", frisou o economista.

O conselheiro do governo de George W. Bush fez questão de ressaltar que há falhas regulatórias em relação ao setor financeiro, mas que esses erros não são o "coração da situação" que levou à atual crise financeira.

"Há fatores mais fundamentais e uma coisa em que acredito é que não precisamos de mais regulação, mas de regras mais inteligentes", destacou.

Lazear ressaltou que os países devem atuar com políticas alinhadas para que a economia mundial se recupere mais rapidamente da atual turbulência. Segundo ele, os passos dados até o momento deverão ser suficientes para que a crise seja superada. Para o economista, a recuperação deverá começar no início do governo do presidente norte-americano eleito, Barack Obama.

"Este trimestre e o próximo serão problemáticos, mas esperamos que a capitalização e as ações do Fed melhorem a situação no próximo governo", afirmou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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