Tamanho do texto

Ganha espaço no Palácio do Planalto a proposta de uma reformulação mais ampla da estrutura de financiamento à exportação

selo

O agravamento da crise na indústria brasileira e o problema cambial do País ampliaram as insatisfações de setores de dentro e fora do governo com a condução da política de comércio exterior e estímulo às exportações. A avaliação é de que as medidas cambiais pontuais adotadas pela equipe econômica têm ajudado a impedir o movimento de queda acentuada do dólar - o que poderia piorar ainda mais o quadro para a indústria - mas é preciso voltar as atenções para uma estratégia mais eficaz e duradoura.

É nesse cenário que ganha espaço no Palácio do Planalto a proposta de uma reformulação mais ampla da estrutura de financiamento e garantia à exportação, com maiores poderes para o Ministério do Desenvolvimento e Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A proposta já está em análise no Ministério da Fazenda. A ideia é equiparar as ferramentas brasileiras aos modelos internacionais.

De um lado, as críticas são de que o Ministério da Fazenda é lento para regulamentar e implementar as medidas que são lançadas para o setor exportador. E também dificulta a aprovação da liberação das operações de financiamento à exportação e equalização de juros dos empréstimos que estão no Programa de Financiamento à Exportação (Proex).

Para o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, o tema comércio exterior "concorre" com outras medidas do Ministério da Fazenda e são analisados com uma "visão fiscal". A maior crítica é de que a Fazenda contingencia os recursos para fazer o superávit primário das contas do setor público.

Por outro lado, a Fazenda, segundo apurou a Agência Estado, reclama da incapacidade operacional e gerencial da área técnica do Ministério do Desenvolvimento. Para a Fazenda, também há risco em juntar no mesmo órgão a decisão sobre garantias do crédito à exportação e a execução das linhas de financiamento.

É nesse ambiente que "velhas disputas" entre os ministérios do Desenvolvimento e da Fazenda, que deram uma trégua no primeiro ano do governo Dilma Rousseff, voltam agora com maior força, diante das críticas do empresariado.

No passado, os ministros da Fazenda conseguiram fazer prevalecer a visão fiscalista. A diferença agora é que o ministro Fernando Pimentel tem canal direto com a presidente Dilma Roussef e a tem acompanhado em quase todas as viagens internacionais.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.