Tamanho do texto

Com a crise financeira, a evaporação das poupanças na bolsa e o forte aumento do custo de vida nos Estados Unidos, os aposentados e até aqueles que sonhavam com a aposentadoria estão se vendo obrigados a rever seus planos e voltar ao mercado de trabalho.

Aos 55 anos, Marylin Peabody, de Billerica (Massachusetts, nordeste), busca um emprego de contadora após ter sido despedida em junho. "Não posso me permitir não trabalhar. Minha conta de poupança-aposentadoria na bolsa já perdeu 5.000 dólares, quando tinha 60.000", explica.

Como ela, sete em cada dez assalariados com mais de 45 anos prevêem trabalhar além da idade de aposentadoria, segundo um estudo da Associação de Aposentados (AARP). Entre aqueles que não pretendem deixar seus empregos aos 65 anos, 64% deles alegam que o farão por "necessidade de dinheiro" ou para "ajudar outros membros da família".

"Evidentemente, nestes tempos de dificuldade econômica, trabalhar mais tempo se tornou uma questão crucial", observou Deborah Russel, responsável pelas relações com o mercado de trabalho da poderosa AARP.

"Aqueles que se aproximam da aposentadoria olham para o nível de sua conta 401 K (poupança-aposentadoria na bolsa) e chegam à conclusão de que não podem parar", acrescentou. "Quanto aos que já se aposentaram, acabam constatando diante de seus ativos que devem, sem dúvida, voltar a procurar um trabalho".

Nos Estados Unidos, exceto para algumas profissões (policiais, bombeiros e pilotos), não há uma idade obrigatória para se aposentar. A população, por sua vez, está envelhecendo: em 2006, já contava com 36,8 milhões de pessoas com mais de 65 anos, contra menos de 20 milhões no fim da década de 70.

"Nas últimas semanas, constatamos um aumento extraordinário de acessos ao nosso site de busca de emprego", destacou Tim Driver, diretor do Retirementjobs.com, site de busca de empregos para aposentados.

Criado há dois anos, o site registrou duas vezes mais acessos desde o inícida crise financeira.

Hoje, pelo menos 16% dos americanos com mais de 65 anos trabalham, contra 12% no fim dos anos 90.

Com a chegada das gerações do pós-guerra à idade de aposentadoria, a quantidade de pessoas empregadas aos 55 anos ou mais aumentou 29% entre 2002 e 2007, segundo o Serviço de Estatísticas do Trabalho. Para 2016, a mão-de-obra com 55 anos ou mais deve aumentar 46%.

Além disso, uma pesquisa da auditoria Ernst and Young revelou que 60% dos jovens aposentados da classe média viverão mais tempo que suas poupanças.

Uma perspectiva que assusta Annelle Billington, ex-modista. "Tenho medo que minhas economias não me acompanhem. Minha avó, minha avó, minha tia, todas morreram por volta dos 95 anos. Acabei de completar 84 anos e gozo de boa saúde", explicou Annelle, que está disposta a retomar sua máquina de costura para chegar ao fim do mês.

"Não jantamos fora, não vamos a lugar nenhum, não fazemos nada", contou Evelyn Thomson, de 55 anos, de Pikeville, Kentucky (centro-leste).

"Meu marido tem 65 anos. Depois de 38 anos na Ford, trabalha em tempo integral no (rede de supermercados) Wal Mart e nosso orçamento é, muito, muito apertado", indicou. "Ele recebe 2.500 dólares da aposentadoria e ganha mais 1.200 dólares com seu putro emprego. Eu preciso encontrar um trabalho para chegar ao final do mês, e como todo mundo está atrás de um emprego, está difícil".

vmt/ap/sd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.