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César Muñoz Acebes. Washington, 17 out (EFE) - A crise imobiliária nos Estados Unidos, a origem dos problemas financeiros do país e do mundo, ainda está longe de terminar, à luz dos dados sobre o índice de construção de casas em setembro, o mais baixo desde a recessão de 1991. O setor de habitação, cujos preços alcançaram seu teto em julho de 2006, segue interferindo nos balanços dos bancos, e a queda do ritmo das obras no mês passado aponta para uma desaceleração ainda mais profunda da economia. Os dados foram anunciados no mesmo dia em que o presidente dos EUA, George W. Bush, pediu paciência à população americana e aos mercados para os efeitos de seu plano de resgate de US$ 700 bilhões que, segundo ele, é suficientemente grande e audaz para funcionar.

"Estas ações demorarão um tempo para ter seu impacto total", disse Bush. "Os mercados de crédito demoraram um tempo para congelar e vai levar algum tempo para que descongelem".

Em discurso de 20 minutos, em vez de suas declarações breves quase diárias sobre a economia, o presidente qualificou o programa de resgate como "o último recurso".

"Se o Governo não tivesse agido, o buraco em nosso sistema financeiro teria crescido ainda mais", justificou Bush, que quis acalmar os críticos à sua intervenção.

"Como um grande crente no livre mercado, eu me oporia a estas medidas em circunstâncias normais, mas estas não são circunstâncias normais", destacou.

O presidente falou antes da abertura da bolsa em Nova York frente a uma audiência favorável, a Câmara de Comércio, que é a maior associação empresarial do país.

Mesmo assim, os mercados iniciaram o pregão em baixa porque os investidores se fixaram mais no relatório negativo sobre o setor de habitação, que indica que os proprietários ainda não chegaram no final de sua "via crucis".

O Departamento de Comércio dos EUA informou que a construção de casas caiu 6,3% em setembro.

Ao mesmo tempo, as solicitações de permissões de obra, um indicador da atividade futura no setor, tiveram queda de 8,3%.

Para a economia americana, os dados apontam para novos problemas a curto prazo, embora eventualmente o menor ritmo de construção possa ajudar a reduzir o grande estoque de casas à venda.

Nos mercados de crédito, a melhora que Bush citou é real, mas ainda é levemente sentida.

A taxa Libor em dólares para três meses, de referência nos EUA, caiu alguns décimos esta semana, para 4,4%.

Mesmo assim, o número segue muito acima do 1,5% oficial do Federal Reserve (Fed, banco central americano), o que reflete a hesitação dos bancos em conceder empréstimos interbancários e se traduz em empréstimos caros para empresas e cidadãos nos Estados Unidos e Europa.

Os Governos pretendem ressuscitar o mercado interbancário com garantias de crédito e a compra de ações dos bancos, que lhes assegura uma base de capital.

Nos Estados Unidos, a intervenção do Governo na economia é mais difícil de digerir que na Europa, e Bush tentou convencer os céticos de que ela é imprescindível.

O presidente disse que a compra de ações dos bancos não é "um passo rumo à sua nacionalização" e ressaltou que o Departamento do Tesouro americano não entrará em seus conselhos diretores.

"A intervenção do Governo não é uma tomada de controle, não pretende enfraquecer o livre mercado, mas fortalecê-lo", afirmou.

O presidente também afirmou que, nestes momentos de crise, os EUA devem "evitar a falsa tentação do isolamento econômico".

Nesse sentido, pediu mais uma vez ao Congresso a aprovação "este ano" dos tratados de livre-comércio assinados com a Colômbia, Panamá e Coréia do Sul.

Na Legislatura, os líderes democratas propuseram outro programa de estímulo fiscal para agilizar a atividade econômica, mas ninguém fala de livre-comércio. EFE cma/ab/db

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