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Os líderes mundiais que falaram nesta terça-feira na Assembleia Geral da ONU insistiram em apelos por medidas para evitar que a crise financeira se globalize, freando o desenvolvimento e a luta contra a pobreza.

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O terremoto financeiro com epicentro nos Estados Unidos que abalou os mercados mundiais foi o tema principal dos debates na 63ª Assembleia Geral da ONU, inaugurada nesta terça-feira em Nova York.

Seguindo a tradição, o chefe de Estado brasileiro foi o primeiro a falar na tribuna mundial: Luiz Inácio Lula da Silva dedicou boa parte de seu discurso à crise financeira e à necessidade de que cada país assuma responsabilidades.

"A natureza global desta crise implica que as soluções que adotarmos devem ser também globais, e decididas em foros multilaterais legítimos, sem imposições", afirmou.

"As instituições econômicas hoje em dia não têm a autoridade nem os instrumentos de que necessitam para evitar a anarquia da especulação. Devemos reconstruí-las sobre bases inteiramente novas", sugeriu o presidente.

"Somente ações decisivas por parte dos governos, especialmente em países que estão no centro da crise, poderão controlar a desordem que se estendeu através do setor financeiro mundial, com perversos efeitos na vida diária de milhões de pessoas", insistiu Lula.

Citando o economista Celso Furtado, o presidente voltou a reiterar a idéia de que "não é justo que, enquanto os lucros dos especuladores são privatizados, suas perdas são invariavelmente socializadas".

Para tentar tranquilizar o resto do planeta, o presidente americano George W. Bush prometeu agir "com a urgência necessária".

"Posso garantir que minha administração e nosso Congresso estão trabalhando juntos", disse Bush em Nova York, enquanto em Washington os parlamentares corriam contra o relógio para debater o plano de reativação financeira de US$ 700 bilhões e, mundo afora, as bolsas caíam.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, por sua vez, abriu a sessão alertando que o mundo enfrenta "um desafio de liderança" para lidar com a tempestade financeira, que se soma a uma crise energética e de alimentos.

"Vejo o perigo de nações olhando cada vez mais para dentro, ao invés de olhar para um futuro compartilhado", disse Ban aos mais de 120 chefes de Estado e governo que compareceram à reunião.

O presidente da Assembleia Geral, o nicaraguense Miguel d'Escoto, advertiu por sua vez que "a crise financeira atual, somada ao encarecimento dos alimentos e à devastação humanitária provocada por fenômenos naturais recorrentes, terá sérias consequências que impedirão avanços significativos - se é que avanços serão registrados - em direção aos Objetivos do Milênio (OMD)", que consistem em reduzir a pobreza mundial pela metade até 2015.

"São sempre os pobres que pagam o preço pela ganância descontrolada e a irresponsabilidade dos poderosos", criticou d'Escoto, sacerdote católico e ex-chanceler sandinista.

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, propôs a seus colegas uma cúpula mundial antes do fim do ano para "refletir juntos sobre as lições a serem aprendidas" depois da "mais grave crise financeira do mundo desde os anos 30".

"Vamos reconstruir juntos um capitalismo normal e regulado no qual setores inteiros da atividade financeira não sejam deixados somente a critério dos operadores do mercado, onde trabalham os bancos. A função dos bancos é financiar o desenvolvimento econômico, mais que a especulação", acrescentou.

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