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A falta de crédito e os resquícios da crise financeira global no início do ano passado acabaram por impulsionar o setor de franquias no Brasil. Em 2009, o número de novas redes foi recorde: quase o dobro do ano anterior e cinco vezes maior que a expansão registrada em 2001.

O ano foi tão atípico que, para os próximos meses, a tendência é de queda na quantidade de novas empresas franqueadas.

"Em vez de pegar empréstimos com banco, os empresários que queriam multiplicar seu empreendimento optaram por parcerias, dividindo a necessidade de investimentos com os franqueados", explicou Ricardo Camargo, diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising. "O setor foi beneficiado de todos os lados pela crise. Quem estava com dinheiro e queria investir optou pelas franquias."
Consultora nessa área, Cláudia Bittencourt identificou entre os investidores pessoas que haviam perdido o emprego na crise, principalmente na indústria, e tiveram dificuldade para voltar ao mercado. "Muitos preferiram aplicar a rescisão na abertura de um negócio próprio."
Parceria. Quem mais se aproveitou da onda do franchising no ano passado foram as indústrias, tanto as de pequeno quando as de grande porte. Entre as 264 novas marcas que partiram para o sistema de franquia em 2009 está a Casa de Sorvetes Jundiá - uma empresa familiar de Jundiaí (SP), que está há 35 anos no mercado e ocupa o terceiro lugar no ranking das maiores sorveterias do País.

Os produtos já eram distribuídos no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro em supermercados, restaurantes e lanchonetes. Investir em lojas exclusivas estava nos planos do proprietário Cesar Bergamini, que está na segunda geração da Jundiá. A meta tornou-se viável com o interesse do empresário José Carlos Semenzato pela sorveteria.

Bergamini tem o "know how" da produção e Semenzato, sócio-fundador da Microlins, franquia de ensino profissionalizante, tem a experiência do franchising. "A parceria aconteceu num momento muito interessante, em que já tínhamos pessoas querendo ser franqueadas."
No ano passado, a Jundiá abriu as portas de três sorveterias próprias e de outras três franquias, na capital paulista, na Baixada Santista e em Sorocaba. O custo para ser um franqueado fica em torno de R$ 100 mil. A intenção dos sócios é investir no público de classes C e D.

Outra marca que também voltou-se para o mercado de franquias durante o "boom" do ano passado foi a Pakalolo, do Grupo Marisol. É uma tentativa de resgatar a marca, que teve seu auge na década de 80, com cerca de 160 lojas, faliu e foi comprada em 2005 pela companhia catarinense. Em dezembro, foram abertas três lojas em shoppings de São Paulo e de Florianópolis.

As novas redes de franchising correspondem a 16% do total de redes existentes no País. Segundo a ABF, o índice de novas franquias que não dão certo no Brasil é baixo, de 0,5%. "Boa parte dos casos de redes que deixaram de existir estão em setores que evoluem muito rápido, como o de tecnologia, em que as marcas nem sempre conseguem acompanhar as novidades", disse Camargo.

Em 2009, o setor de franquias faturou R$ 63 bilhões. As redes que mais contribuíram com essa marca foram as de acessórios pessoais, calçados, vestuário e informática.

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