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Duas maiores fabricantes de batatas pré-congeladas da Argentina não conseguem embarcar produtos para o Brasil

Enquanto os produtores brasileiros de carne suína enfrentam desde fevereiro o embargo argentino, há quase 30 dias que as duas maiores fabricantes de batatas pré-congeladas da Argentina - a holandesa Farm Frites e a canadense McCain - não conseguem embarcar nenhum caminhão para o Brasil.

"Estamos deixando de exportar da Argentina duas mil toneladas por mês, mas para cumprir com nossos contratos, estamos enviando as batatas da Europa", explicou à AE, o CEO da Farm Frites, Fabio Calcaterra. Segundo o executivo, o custo do envio do produto ao mercado brasileiro via Europa é 25% mais caro, em consequência do transporte e da alíquota de 14% aplicada para os produtos fora do Mercosul.

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O volume representa US$ 2,4 milhões de divisas que deixam de entrar no mercado argentino em plena carência de dólares e controles do mercado de câmbio doméstico. O Brasil passou a exigir licença para a importação de batatas pré-congeladas depois que o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, quebrou a promessa de liberar a entrada de suínos.

"É uma lástima que existam barreiras mútuas e que não haja um livre comércio entre os quatro países do Mercosul. Acho que não deveriam romper esse espírito de manter livre comércio entre os sócios para que todos os países cresçam", opinou o executivo. O período máximo de demora permitido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para concessão da licença é de 60 dias. A Argentina não costuma cumprir esse prazo, mas o Brasil sempre obedeceu. No caso das batatas, o prazo expira no dia 8 de julho.

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"Estamos seguros de que o governo brasileiro vai liberar a partir do vencimento, mas esperamos que esse problema seja solucionado antes pelos dois governos. Talvez, durante a cúpula do Mercosul", afirmou Calcaterra. Há pouco mais de um mês que maçãs, queijos, azeitonas, farinha de trigo, vinho, chocolates, uvas passas e doces da Argentina estão com dificuldades para entrar no mercado brasileiro, em consequência de medidas fitossanitárias ou de licenças não automáticas.

Na semana passada, os produtores de maças e peras protestaram contra as barreiras e pediram a intervenção do secretário Moreno porque consideram que a posição do Brasil é uma clara represália em resposta às barreiras argentinas. 

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