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Estefanía Narrillos.

Bruxelas, 20 dez (EFE) - Depois dos Estados Unidos, a crise financeira chegou este ano à Europa, onde as autoridades foram obrigadas a intervir para evitar a falência de grandes entidades e a elaborar planos milionários para combater a recessão.

Após alguns meses de otimismo moderado com a possibilidade de que os problemas mais graves ficassem do outro lado do Atlântico, em pouco tempo ficou claro que o sistema financeiro europeu não conseguiria escapar da onda originada nos EUA e, pior ainda, que a crise financeira se transferisse à economia real.

Entre os bancos, a primeira grande vítima deste ano - em 2007, o britânico Northern Rock já esteve a ponto de cair - foi o belga-holandês Fortis.

A entidade precisou ser resgatada em uma operação conjunta dos Estados belga, holandês e luxemburguês para impedir sua falência e acabou desmembrado, com a maior parte do negócio nas mãos do Estado holandês e do francês BNP Paribas.

O terremoto financeiro não ficou só nisso, e as operações de resgate e nacionalizações também aconteceram em outros países, como Reino Unido (HBOS, Bradford & Bingley), França (Dexia), Alemanha (Hypo Real Estate) e Portugal (BPN).

Isso porque os Governos da União Européia (UE) chegaram a um acordo para evitar a qualquer preço "um Lehman Brothers europeu", o banco americano que foi o primeiro a capitular, devido à crise.

As ajudas públicas, que inicialmente estariam restritas aos bancos em risco de falência, acabaram sendo estendidas a todas as entidades com problemas para encontrar financiamento - em um contexto de limitação de crédito e desconfiança crescente -, em forma de avais ou de injeções de capital.

No entanto, as dificuldades no setor financeiro não foram resolvidas e o contaminação do setor produtivo por esses problemas não foi evitado.

Além da definição teórica da situação - considera-se que uma economia está em recessão quando o Produto Interno Bruto (PIB) cai por dois trimestres seguidos -, fica claro que, em decorrência das turbulências financeiras, a Europa mergulhou em uma grave crise.

Os reflexos mais evidentes foram a queda do consumo e do investimento, a menor criação de emprego e a confiança em níveis historicamente baixos.

As perspectivas de futuro são obscuras, segundo as previsões de todos os organismos internacionais, que afirmam que a contração na Europa será ainda mais forte em 2009.

Os três cortes dos juros adotados pelo Banco Central Europeu (BCE) em menos de dois meses, entre outubro e dezembro, que deixaram a taxa básica na zona do euro em 2,5% - o menor nível desde maio de 2006 -, são uma clara demosntração da preocupação com a mais que evidente desaceleração.

A inflação é, neste contexto de pessimismo generalizado, o único ponto positivo, já que, impulsionada pela queda dos preços do petróleo e de outras matérias-primas, registrou uma brusca correção nos últimos meses do ano, para aproximadamente 2% nos países da zona do euro.

Os Governos europeus, que já aderiram ao intervencionismo, com as operações de resgate no setor financeiro, decidiram seguir o mesmo caminho na política econômica e adotaram planos de reativação, com a esperança de retomar em breve a via do crescimento e da criação de emprego.

Resta ver se estes planos surtirão o efeito desejado, mas certamente trarão consigo aumentos consideráveis do déficit público.

Um problema, o das contas públicas, parece menor no caso da Islândia, o país europeu mais atingido pelas turbulências financeiras, que só se livrou este ano do colapso por causa de empréstimos de emergência das nações nórdicas, Polônia e Rússia, e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A economia islandesa, que tinha registrado uma forte expansão nos últimos anos baseada, principalmente, no desenvolvimento do setor financeiro, foi à lona em decorrência das tensões nos mercados mundiais, que obrigaram a nacionalização dos três principais bancos do país e provocaram a forte desvalorização da moeda local. EFE epn/db/an

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