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Com salários que rivalizam com os de Wall Street, banqueiros, gestores e executivos de petróleo têm se mudado para o País

Ponderando as tempestades financeiras que atingem a Europa e os Estados Unidos, Seth Zalkin, um banqueiro americano casualmente vestido, bebia um cafezinho e parecia contente com sua decisão de se mudar para o Brasil em março com sua esposa e filho.

"Se o resto do mundo está desabando, este é um bom lugar para se estar", disse Zalkin, 39.

Para aqueles que não tem a menor memória da crise de dívida do Brasil na década de 1980, a ordem global virou de cabeça para baixo. A economia dos Estados Unidos pode estar rastejando, mas o Brasil teve a sua mais rápida taxa de crescimento em mais de duas décadas no ano passado e o desemprego está em níveis historicamente baixos, parte da transformação do país de uma loucura inflacionária para um dos principais investidores de Washington.

Com salários que rivalizam os de Wall Street, tantos banqueiros, gestores de fundos hedge, executivos de petróleo, advogados e engenheiros estrangeiros têm se mudado para o país que os preços dos melhores escritórios superaram os de Nova York este ano, tornando o Rio a cidade mais cara nas Américas para locação, de acordo com a empresa imobiliária Cushman & Wakefield.

A americana Michelle Noyes que trabalha com gestão de recursos em São Paulo:
Daniel Kfouri/The New York Times
A americana Michelle Noyes que trabalha com gestão de recursos em São Paulo: "Eu me mudei da periferia da indústria para o centro"

A mentalidade de corrida do ouro está em pleno andamento, com as autorizações de trabalho para estrangeiros aumentando 144% nos últimos cinco anos e os americanos liderando o grupo de profissionais educados a investir suas carreiras no país.

Empresários têm sido atraídos para o Brasil, juntamente com homens que acreditam poder enriquecer rapidamente, sonhadores de grandezas da Amazônia e até mesmo bandidos, como Ronald Biggs, o britânico que fugiu para o país depois do seu Grande Assalto ao Trem Pagador, em 1963.

Mas agora escolas que ensinam em inglês têm longas listas de espera, apartamentos podem custar US$ 10.000 por mês em partes cobiçadas do Rio e muitos dos recém-chegados têm diplomas da Ivy League ou experiência de trabalho em grandes empresas da economia global.

Uma vez aqui, eles encontram um país que enfrenta um desafio muito diferente do que os Estados Unidos e a Europa: os temores de que a economia está a ficar demasiado quente.

Um choque especial para os recém-chegados é a força da moeda do Brasil, o real. Isso pode ajudar os brasileiros que investem em imóveis em lugares como a South Beach, em Miami, onde as propriedades custam cerca de um terço de seu equivalente em bairros exclusivos do Rio de Janeiro. Mas também prejudica os fabricantes e exportadores do país.

Então, em uma tentativa de impedir que cresça ainda mais, o Brasil é hoje um dos maiores compradores de títulos do Tesouro dos Estados Unidos, tornando-se assim um dos principais interessados na economia americana. Essa é uma ruptura com o passado, quando Washington ajudou a forjar pacotes de resgate para a crise financeira do Brasil.

"O Brasil está indo muito bem, mas honestamente, a cada duas semanas eu me pergunto: 'Quando é que isto vai acabar?'", disse Mark Bures, 42, um executivo americano que se mudou para cá em 1999, a tempo de ver uma desvalorização abrupta da moeda e outras oscilações no mercado brasileiro.

Alguns veteranos americanos expatriados lembram do último "milagre" econômico do Brasil, no início dos anos 1970, quando o "The Wall Street Journal" citou um banqueiro entusiasmado em um artigo de primeira página que previa: "Em 10 anos, o Brasil será uma das cinco grandes potências do mundo". Em vez disso, o país acabou com níveis assustadores de dívida externa.

O crescimento recente do consumo interno, resultado de uma classe média em expansão, ajudou a transformar o Brasil em uma potência em ascensão que se recuperou com folga da crise financeira global de 2008. A economia cresceu 7,5% no ano passado e deverá registrar cerca de 4% de crescimento este ano – mais lento, mas ainda invejável nos Estados Unidos.

No entanto, o Brasil ainda oferece muitos desafios para os recém-chegados. A legislação de trabalho favorece a contratação de brasileiros e não de estrangeiros, e o moroso processo de obtenção de um visto de trabalho pode surpreender aqueles não acostumados com a gigantesca burocracia do Brasil.

Alguns economistas consideram o real a moeda mais sobrevalorizada do mundo contra o dólar e a inflação subiu (como evidenciado nos Big Macs de US$ 6,16 e Martinis de US $ 35). As taxas de juros seguem altíssimas e analistas debatem se uma bolha de crédito está se formando conforme os consumidores continuam a gastar em onda de vários anos, que vai de casas a carros.

Cynthia Yuanxiu Zhang:
Daniel Kfouri/The New York Times
Cynthia Yuanxiu Zhang: "Me mudei de Pequim há um ano e encontrei um potencial incrível para desenvolvimento profissional"
Mas o Brasil não é imune à turbulência nos mercados globais, e sua moeda enfraqueceu um pouco este mês. O setor imobiliário do Rio de Janeiro tem sido movimentado pelas preparações para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, mas sua infraestrutura é inadequada. Crimes violentos, embora em queda em algumas áreas, são uma praga em grandes partes do país e no Rio, que sofreu com um traumático sequestro de ônibus este mês.

Ainda assim, os estrangeiros estão chegando, e as autorizações de trabalho saltaram mais de 30% apenas em 2010, de acordo com o Ministério do Trabalho.

"Eu falava um português muito básico, mas conseguia perceber que este lugar estava crescendo", disse Michelle Noyes, 29, uma nova-iorquina que organizou uma conferência de fundos de hedge em São Paulo. Pouco depois, ela resolveu mudar para o Brasil aceitando um trabalho em uma empresa de gestão de ativos na capital paulista.

"Eu me mudei da periferia da indústria para o centro", disse Noyes, citando outros cinco americanos, dois de Nova York e três de Chicago, que se deslocaram para Brasil este mês para tentar a sorte.

Os americanos formam o maior grupo em mudança para o país, seguido por contingentes de cidadãos britânicos e outros europeus. Alguns estão com empregos temporárias. Outros estão começando empreendimentos grandes e pequenos.

David Neeleman, fundador da americana JetBlue Airways, recentemente criou a Azul, uma companhia aérea brasileira de baixo custo. Corrado Varoli, um italiano que supervisionava as operações do Goldman Sachs na América Latina de Nova York, agora dirige o seu próprio banco de investimento em São Paulo. Novos sites brasileiros como o Baby.com.br, uma loja de fraldas online fundada este ano por dois primos americanos recém-saídos das escolas de negócios de Wharton e Harvard, muitas vezes dão ao Brasil uma sensação de bolha parecida com aquela vista nos Estados Unidos em 1999.

Outros estrangeiros aceitam empregos em empresas brasileiras que prosperaram com uma expansão em parte criada pelo comércio entre Brasil e China.

"Nossos salários aqui no Brasil são pelo menos 50% mais altos do que nos Estados Unidos para posições estratégicas", disse Jacques Sarfatti, gerente da Russell Reynolds, empresa que recruta executivos de negócios.

Estrangeiros competem com brasileiros voltando do exterior. "É muito óbvio que o mercado de trabalho está ruim em outros lugares", disse Dara Chapman, 45, californiana que é parceira em um fundo de hedge no Rio, o Polo Capital. Ela disse estar recebendo tantos currículos de candidatos americanos que eram valem "pouco a dezena”.

A descoberta de petróleo em águas profundas também têm atraído investidores e estrangeiros, incluindo milhares de filipinos que trabalham em navios e plataformas de petróleo. Para as suas indústrias, o Brasil precisa de um número estimado de 60.000 novos engenheiros, alguns dos quais devem vir do exterior, dado sistema educacional do país.

"Eu me mudei de Pequim há um ano e encontrei um potencial incrível para desenvolvimento profissional", disse Cynthia Yuanxiu Zhang, 27, gerente de uma empresa de tecnologia. "Eu já estou planejando estender o meu tempo aqui para esta década."

(Por Simon Romero)

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