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Os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC) indicam que, depois de dois meses atuando para injetar liquidez na economia e conter a crise financeira, a autoridade econômica fez o caminho inverso em dezembro. Tanto o Tesouro quanto o BC ampliaram a emissão de títulos no mês passado, fazendo a dívida bruta do governo geral - antes em queda - crescer R$ 53,2 bilhões em 30 dias.

Essas emissões não serviram para ampliar a despesa pública, mas, ao contrário, expandir o volume de recursos parados no caixa do governo de R$ 227 bilhões para R$ 255 bilhões. Essa decisão está relacionada, segundo técnicos da equipe econômica, a uma precaução com o cenário de janeiro, quando estava programado um grande volume de resgates de títulos pelo Tesouro.

A dívida mobiliária do Tesouro em mercado cresceu de R$ 1,225 trilhão para R$ 1,244 trilhão, o que pode ser explicado parcialmente pela emissão de R$ 14,2 bilhões do fundo soberano. Já as operações compromissadas do BC cresceram de R$ 294 milhões em novembro para R$ 325 bilhões em dezembro.

Na prática, as ações do Tesouro e do BC contribuíram para retirar dinheiro de circulação em dezembro, o que contraria os objetivos anunciados pela equipe econômica de incentivar a demanda agregada. Para os técnicos do BC, entretanto, o aumento das operações compromissadas estaria coerente com o diagnóstico da autoridade monetária, que até o mês passado era de preocupação com a inflação.

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