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SÃO PAULO - A noite de confraternização de fim de ano da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), ontem em São Paulo, foi pontuada por pequenas provocações nos pronunciamentos dos principais convidados da entidade: Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC), e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em seus discursos a banqueiros presentes, eles aproveitam a oportunidade para lembrar que o crédito continua caro, apesar das flexibilizações do governo em relação ao compulsório.

Mantega elogiou a robustez do sistema financeiro e reforçou que o governo está " atento " aos desdobramentos da crise, mas destacou que " ainda há problemas de oferta de crédito " e que o custo financeiro dos empréstimos está muito " elevado " . " É preciso reduzir o custo (do crédito) para patamares compatíveis com o crescimento da economia " , afirmou, reiterando a necessidade da participação de todos para que a economia brasileira possa crescer 4% no ano que vem.

Meirelles, por sua vez, lembrou que, com as reduções de compulsórios recolhidos pelos bancos, já foi possível liberar quase R$ 100 bilhões para empréstimos ao mercado nesse momento de dificuldades de financiamento.

" O compulsório, de que os senhores tanto reclamaram, podemos dar graças a Deus por existir agora " , disse o dirigente, reforçando que o risco está sempre " subjacente " e que a política prudencial " compensa " .

Meirelles recordou ainda da displicência dos bancos internacionais, em relação à concessão de crédito e ao nível de alavancagem, como motivador principal da crise vigente e defendeu um modelo de " provisão dinâmica " , em que as provisões bancárias se ajustariam na mesma proporção da expansão das carteiras de crédito. " O provisionamento não isola o sistema da crise, mas permite uma absorção mais suave do processo " , disse.

Fabio Barbosa, presidente do Banco Real e da Febraban e anfitrião da noite, abriu o evento lembrando que 2008 é o ano que todos querem que " acabe logo " , mas garantiu que mesmo no ápice da turbulência internacional, quando os recursos escassearam no mundo todo e a demanda interna por empréstimos cresceu, os bancos continuaram " cumprindo seu papel " e emprestando dinheiro.

Como exemplo, o executivo mencionou os dados de crédito referentes a outubro, divulgados na terça-feira pelo BC. " Houve um aumento de 2,9% (na concessão de crédito) frente a setembro, que elevou o montante para R$ 1,180 trilhão, o equivalente a 40,2% do PIB. O sistema não parou de operar. Continuou provendo crédito. "
Ao fim de sua exposição, Barbosa procurou passar uma mensagem de otimismo e disse acreditar que " em breve não haverá mais crise " .

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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