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RIO - O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, acredita que o nível de desembolsos da instituição este ano vai superar o teto da meta de R$ 80 bilhões e pretende pedir um aumento do orçamento na próxima reunião do Conselho do Banco, na segunda-feira.

Vamos pedir para subir a vareta um pouquinho, resumiu Coutinho, que apresentou hoje os números do desembolso no primeiro semestre. Já temos funding suficiente para R$ 80 bilhões e é possível que tenhamos que negociar ou captar um pouco mais, acrescentou.

Entre janeiro e junho a instituição desembolsou R$ 38,592 bilhões, uma alta de 56,2% em relação a igual período do ano passado. Coutinho lembrou que normalmente o segundo semestre tem uma demanda mais forte por recursos da instituição, o que deve levar à superação do teto do orçamento.

O executivo ressaltou ainda que o aumento do emprego com carteira assinada reduziu as preocupações sobre os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), principal fonte de captação do banco. Segundo Coutinho, havia temores alimentados por um crescimento de saques do fundo em função da utilização do seguro-desemprego, mas dados recentes mostram uma estabilização e a volta do aumento dos recursos do FAT disponíveis para captação do banco.

Mesmo assim, o presidente do BNDES ressaltou que a alta dos recursos do FAT não é suficiente para fazer frente ao aumento de demanda por recursos oriundos do banco de fomento. A saída encontrada pela instituição foi, segundo Coutinho, restringir cada vez mais o uso desses recursos, destinados a empréstimos lastreados pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).

Os recursos do FAT são nobres, em TJLP, e destinados fundamentalmente à formação de capacidade industrial nova, à formação de infra-estrutura nova e à inovação. Há uma utilização muito seletiva dos recursos em TJLP. Em casos de recursos para giro, para exportação ou para empresas que têm alternativas, oferecemos o IPCA ou cesta de moedas, disse Coutinho.

Atualmente, a carteira de empréstimos do BNDES tem cerca de 80% do total lastreado em TJLP e o restante em índices de inflação ou cesta de moedas. A tendência, segundo Coutinho, é caminhar para uma relação de 70% e 30%.

Temos que tornar isso compatível com a nossa estrutura de funding. Na medida em que o o custo de recursos na margem sobe, estamos também diferenciando o mix de oferta, afirmou. Na média, o custo da oferta de recursos também passa a ser mais alto, o que é absolutamente natural quando há pressão de demanda.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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