Tamanho do texto

Economia brasileira tem boa perspectiva, porém enfrenta obstáculos de longo prazo, como avanço da competitividade da indústria

selo

Luciano Coutinho, presidente do BNDES
Agência Brasil
Luciano Coutinho, presidente do BNDES
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, destacou nesta sexta-feira que embora a economia brasileira tenha boa perspectiva de crescimento, apesar da crise internacional, há desafios para a continuidade da expansão do País no longo prazo.

Um deles é o avanço da competitividade da indústria, que sofre acirrada concorrência internacional. Segundo ele, há sinais de que várias cadeias produtivas estão sendo ameaçadas por competidores estrangeiros. Contudo, ele destacou que tais desafios podem ser superados.

Além do mercado domésticos forte, Coutinho ressaltou que os bancos nacionais são maduros, assim como o Banco Central. "Ninguém vai fazer bobagem. Não haverá bolha de crédito", destacou, afirmando que é salutar moderar a expansão da concessão de financiamento da economia, como já está sendo feito pelo governo.

Em palestra no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), Coutinho ressaltou que a perspectiva de investimentos no Brasil é muito positiva para os próximos anos, com várias oportunidades em diversos setores, alguns deles até normalmente invisíveis à sociedade. "Se uma crise de crédito ocorrer, saberemos como atacá-la. E a banca privada tomará atitude diferente da adotada em 2008", comentou.

Coutinho manifestou-se confiante de que o setor financeiro privado não iria novamente congelar o fluxo de empréstimos para empresas e famílias caso a crise se agrave, pois há uma compreensão muito grande dos bancos de que a economia brasileira tem um setor privado sólido, com ótimas perspectivas de faturamento e vendas em todos os segmentos. 

Crescimento mais modesto nos EUA

Coutinho afirmou ainda que o agravamento da crise internacional, que está afetando a situação econômica de países europeus, também traz efeitos para a economia dos Estados Unidos, com perspectiva de retração da concessão de crédito naquele país.

"O custo de capital nos EUA deve piorar", disse ele. Segundo Coutinho, em decorrência do agravamento da crise econômica naquele país, a perspectiva é de um crescimento mais modesto da economia americana.

Coutinho destacou que a situação na Europa é muito grave, que inclusive uma "ruptura da economia da Itália seria algo muito drástico, impensável". Ele ressaltou, no entanto, que o cenário de agravamento da crise europeia seria tão ruim que é mais razoável avaliar que as autoridades da zona do euro vão encontrar soluções para seus problemas no curto prazo.

Insentato pisar no freio

Em relação aos emergentes, Luciano Coutinho destacou que, em meio ao agravamento da crise mundial, seria insensato economias em desenvolvimento pisarem no freio. Segundo ele, a economia global depende dos países em desenvolvimento mantendo suas trajetórias de crescimento em bons níveis, com destaque para Brasil, China, Índia e outros países da Ásia. "Do contrário, o mundo entraria em double dip de verdade", afirmou.