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SÃO PAULO - Os grupos Cosan e a ALL - América Latina fecharam parceria para o transporte de álcool via ferrovia até o porto de Santos (SP), o maior da América Latina. A operação faz parte de um projeto-piloto, que poderá ser ampliado, e é a primeira envolvendo etanol no Estado de São Paulo.

A ALL já carrega álcool sob os trilhos para as usinas do Paraná até o porto de Paranaguá (PR).

" É a primeira vez que transportamos álcool para exportação por ferrovia " , afirmou ao Valor Carlos Martins, diretor de logística integrada do grupo. O transporte de álcool das usinas até os portos tradicionalmente é feito via rodovias e tem um custo entre 10% e 15% maior.

O primeiro carregamento de álcool chega hoje a Santos. O volume ainda pequeno, de 3,6 milhões de litros, deverá aumentar ao longo dos próximos meses, segundo Martins. O álcool saiu de Bauru (SP), onde a Cosan possui uma infra-estrutura de carregamento de combustíveis, já por conta da sinergia com a distribuidora Esso, e tem como destino o Terminal Exportador de Álcool de Santos (Teas), do qual o grupo é sócio.

Para essa logística, estão sendo utilizados 15 vagões-tanque, com capacidade de 60 metros cúbico a 100 metros cúbicos cada.

De acordo com Caled Omar Fares, gerente de líquidos da ALL, as perspectivas são de que o transporte de álcool por ferrovias cresça em São Paulo. A companhia ALL responde pelo maior volume transportado de açúcar no país. " Queremos não só fazer o carregamento com grãos e açúcar, como também de álcool " , afirmou.

Com a expectativa de aumento das exportações de álcool nos próximos anos, cresce a preocupação do setor com o transporte do combustível até os portos. Em recente entrevista ao Valor, a consultoria Datagro informou que cerca de 95% do transporte do álcool das usinas até os portos é feito via caminhão. Cada vagão substitui até três caminhões.

Para Martins, o transporte de álcool via ferrovia deverá ganhar uma maior importância para o setor sucroalcooleiro. " A construção de alcoodutos será a maneira mais eficiente de se escoar a produção. " Neste quesito, a Cosan criou a Uniduto, com um pool de usinas, que deverá investir em torno de US$ 1 bilhão para a construção de alcoodutos e um terminal de álcool em Santos (SP). O projeto, que ainda não saiu do papel, depende de aprovação de licenças ambientais e deverá entrar em operação em cinco anos.

(Mônica Scaramuzzo | Valor Econômico)

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